sexta-feira, 14 de junho de 2013


"Independência e fatalidade, liberdade e determinismo, são verdades que se alcançam em diferentes níveis de consciência. É a ignorância que faz a mente colocar os dois no mesmo nível e fazer oposição um ao outro. Consciência não é uma realidade única, uniforme, ela é complexa, não é algo como um plano horizontal. Na altura mais elevada está o Supremo e na profundidade mais baixa está a matéria. E há uma infinidade de gradações de níveis de consciência entre esta profundidade mais baixa e a altura elevada.

No plano da matéria e no plano da consciência ordinária você está de pés e mãos atados. Um escravo do mecanismo da Natureza, você está amarrado às cadeias do Carma e aí, nesta cadeia, qualquer coisa que aconteça é rigorosamente a consequência do que tiver sido feito antes. Existe uma ilusão de movimento independente, mas na verdade você repete o que todos os outros fazem, você reflete os movimentos-mundo da Natureza, você se revolve indefeso na roda esmagadora da máquina cósmica.

Mas não precisa ser assim. Você pode mudar de lugar, se quiser; em vez de ficar embaixo esmagado pelo mecanismo ou movido como um boneco, você pode levantar e olhar de cima, e, pela mudança de sua consciência, pode mesmo segurar alguma manivela para mover circunstâncias aparentemente inevitáveis e mudar condições fixas. Depois que você sair do remoinho e colocar-se bem acima do alto, você vê que está livre. Livre de todas as compulsões, você não apenas não é mais um instrumento passivo, mas torna-se um agente ativo. Você não está somente desligado das consequências de suas ações, como pode mesmo mudar as consequências. Quando você vê o jogo de foças, quando você se eleva a um plano de consciência onde se encontram as origens das forças e identifica-se com estas fontes dinâmicas, você não mais pertence ao que é movido, mas ao que move.

É este precisamente o objetivo do Yoga - sair do ciclo do Carma para dentro do movimento divino. Pelo Yoga você deixa a roda mecânica da Natureza na qual você é um escravo ignorante, um instrumento indefeso e miserável, e ascende a um outro plano onde você se torna um participante consciente e um agente dinâmico no desenvolvimento de um Destino mais alto. Este movimento da consciência segue uma linha dupla. No princípio há uma ascensão; você se eleva além do nível da consciência material para esferas superiores. Mas esta ascensão do mais baixo para o mais alto chama a descida do mais alto para dentro do mais baixo. Quando você sobe acima da terra, você também traz para baixo, sobre a terra, alguma coisa do que está em cima - alguma luz, algum poder que transforma ou tende transformar sua velha natureza. E então estas coisas que eram distintas, desconexas e disparatadas umas das outras - o mais alto em você e o mais baixo, os sub-extratos interior e exterior do seu ser e consciência - encontram-se e vagarosamente vão se juntando e gradualmente se fundem em uma única verdade, uma única harmonia".


Fonte: Conversa com a Mãe
             Sri Aurobindo Ashram.

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