terça-feira, 21 de maio de 2013

"...Volvidos alguns anos, meus pais morreram e fui ter com meu mestre, que se pôs a disciplinar-me, embora isso lhe fosse difícil. Eu raro pronunciava a palavra "pai" porque não tinha afeição alguma ao meu pai físico. Nunca lhe senti a falta, porque recebi mais do meu mestre do que qualquer filho pode receber do pai. Meu mestre não é apenas pai para mim, mas muito mais que isso.

Ele conhecia todos os pensamentos que me acudiam à mente. Se eu pensasse em não fazer a meditação, olharia para mim e sorriria. E se eu perguntasse:
- Por que estais sorrindo?
Ele me responderia:
- Porque não queres meditar.

Isso ajudou-me, porque eu tinha a certeza de que ele me estava dirigindo, não só no tocante aos meus atos e palavras, mas também no que se referia à organização dos meus processos mentais e emoções. Eu tinha medo de pensar em coisas indesejáveis, mas ainda que pensasse em alguma coisa que parecesse má, ele continuava a amar-me apesar disso. Nunca me controlava os pensamentos mas, com delicadeza, me fazia tomar consciência dos meus processos mentais. O discípulo é sempre amado pelo mestre. O verdadeiro mestre jamais condena o discípulo, por pior que seja este último. Ao invés disso, ajuda-o e corrige-o delicadamente. Por mais que o filho proceda mal, a mãe amorosa continuará a querer-lhe com ternura. E assim como ela cria o filho dando-lhe amor, gentileza e orientação, assim o mestre cria o discípulo..."

Fonte: Vivendo com os Mestres do Himalaia
           Experiências Espirituais do Swami Rama

Nenhum comentário: