quarta-feira, 13 de março de 2013

Perder é ganhar

"Havia antigamente um swami que costumava hospedar-se em casa do discípulo. Toda a família do discípulo amava e reverenciava o swami, que era um exemplo de disciplina e um homem muito espiritual. Sempre se levantava antes do nascer do sol, tomava banho e ficava sentado, horas a fio meditando. Um dia, porém, de manhã bem cedo, quando ainda estava escuro, gritou:
- Ei, dai-me comida!
- Mas senhor, esta é a hora do vosso banho, - acudiu o discípulo.
O swami replicou:
- Dai-me comida assim mesmo. estou com fome!
Comeu e, a seguir, tomou banho. depois do banho, foi aliviar o ventre e, feito isso foi dormir.
Fez tudo às avessas e virou a casa de pernas para o ar. Disseram:
- Alguma coisa lhe aconteceu; ele ficou louco.
Disse a esposa:
- Nosso mestre é um homem maravilhoso. Devíamos ajudá-lo.
Por isso chamaram médicos e pediram-lhes:
- Não o pertubeis falando em medicina. Dizei, antes: "Queremos aprender convosco". Sede corteses, por favor.
Vieram os médicos e se houveram como discípulos, porque estavam sendo pagos para isso. Perguntaram:
- Gurudev, como estais passando?
Mas ele não respondeu. Julgaram-no em estado de coma, porque não se movia. Um deles examinou-lhe os olhos e neles não viu movimento. Outro descobriu que o pulso estava fraco. Um disse ao outro:
- Não creio que sobreviva.
Um terceiro médico sacou de um estetoscópio e, achando as batidas do coração decrescentes, anunciou:
- O coração está falhando.
A mulher da casa abriu a chorar porque sempre o considerava um pai espiritual.
Finalmente me pediram para ir vê-lo. Quando entrei no quarto, ele levantou-se e eu perguntei:
- Swamiji, que aconteceu?
- Não aconteceu nada, - retrucou ele. - Por que perguntas?
- Todos estão preocupados, - expliquei-lhe.
- Eu costumava meditar por dois motivos, - disse ele. - Mas hoje meus pais morreram e, como fiquei triste, não estou meditando.
Sua linguagem era inteiramente mística.
- Teus pais morreram? - tornei ei. - És um swami. Não tens nada com parentes.
- Não, não, - atalhou ele. - Tu também tens parentes. E quando morrerem, compreenderás. - Transcorrido um instante, prosseguiu: - A cólera era a minha mãe e o apego, meu pai. Ambos morreram, de sorte que não tenho nada que fazer. Agora não preciso fazer mais nada.
A meditação tornar-se-á vossa segunda natureza quando renunciardes ao apego, à cólera e ao orgulho. Não precisareis então tomar atitudes para meditar, pois toda a vossa vida será uma espécie de meditação."

Fonte: Vivendo os Mestres do Himalaia
           Experiências Espirituais do Swami Rama

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