sábado, 9 de fevereiro de 2013

Qual é a relação que existe entre o amor humano e o amor Divino? É o amor humano um obstáculo ao amor Divino? Ou, não seria a capacidade do amor humano um índice da capacidade do amor Divino? Grandes figuras espirituais como Cristo, Ramakrishna e Vivekananda, não foram notavelmente cheias de amor e afetivas por natureza?

O amor é uma das grandes forças universais; existe por si mesmo e seu movimento é livre e independente dos objetos nos quais e através dos quias se manifesta. Manifesta-se em qualquer lugar onde encontre uma possibilidade de manifestação, onde quer que haja receptividade, onde quer que haja alguma abertura para ele. O que você chama de amor, e pensa ser uma coisa individual e pessoal, é apenas sua capacidade de receber e manifestar essa força universal. Entretanto, apesar de ser universal, não é uma força inconsciente; é um Poder sumamente consciente. Conscientemente, ele procura sua manifestação e realiza na terra; conscientemente escolhe seus instrumentos, desperta para suas vibrações aqueles que são capazes de uma resposta, esforça-se para realizar neles aquilo que é sua meta eterna, e quando o instrumento não é adequado, deixa-o e volta-se para procurar outros. Os homens pensam que, de repente, se apaixonam; vêem seu amor chegar e crescer e gradualmente desaparecer - ou, talvez, durar um pouco mais naqueles que são especialmente capacitados para seu movimento mais durável. Mas a sensação de ser uma  experiência pessoal toda sua era uma ilusão. Nada mais era que uma onda do mar sem fim do amor universal.

O amor é universal e eterno; está sempre se manifestando e é sempre idêntico na sua essência. E é uma Força Divina; porque as deformações que vemos nas suas aparentes expressões pertencem a seus instrumentos. O amor não se manifesta apenas em seres humanos; está em todo lugar. Seu movimento está lá nas plantas, talvez nas próprias pedras; nos animais é fácil notar sua presença. Todas as deformações deste grande Poder divino vêm da obscuridade e ignorância e egoísmo do instrumento limitado. O amor, a força eterna, não tem apego ou desejo, não tem fome de posse nem ligação egoística; é, no seu movimento puro, a procura da união do ser com o Divino, uma procura absoluta, indiferente a todas as outras coisas. O amor Divino dá-se e não pede nada. O que os seres humanos fizeram dele não é preciso dizer - transformaram-no em algo feio e repulsivo. E, entretanto, mesmo nos seres humanos, o primeiro contato com o amor traz para baixo algo da sua substância mais pura; por um momento eles se tornam capazes de esquecer-se de si mesmos, por um momento seu toque divino desperta e amplia tudo que é bom e bonito. Mas depois vem à tona a natureza humana, cheia de suas exigências impuras, pedindo alguma coisa em troca, negociando com o que dá, clamando por sua próprias satisfações inferiores, distorcendo e denegrindo o que era divino.

Fonte: Conversas com a Mãe
           Sri Aurobindo Ashram

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