domingo, 20 de junho de 2010

DEPENDEMOS DA NATUREZA







Dependemos da Natureza não só para nossa sobrevivência física. Também necessitamos da natureza para que nos ensine o caminho para casa, o caminho para sairmos da prisão de nossas mentes.

Focalizar a tensão em uma pedra, em uma árvore ou em um animal, não significa "pensar neles", mas simplesmente percebê-los, dar-se conta deles. Eles transmitem algo de sua essência, sente quão profundamente descansam no Ser, completamente unificados com o que são e com onde estão. Ao perceber isto, tu também entras em um lugar de profundo repouso dentro de ti mesmo.

Quando caminhares ou descansares na natureza, honra este reino, permanecendo aí plenamente.

A calma-te.
Olha.
Escuta.
Observa como cada planta e cada animal são completamente eles mesmos, diferente dos humanos, não estão divididos em dois, não vivem por meio de imagens mentais, e por isso não precisam preocupar-se em proteger e potencializar estas imagens.

Todas as coisas naturais, além de estarem unificadas consigo mesmas, estão unificadas com a totalidade.
Não se afastaram da totalidade exigindo uma existência separada: "eu", o grande criador de conflitos.

Tu não criastes teu corpo, nem és capaz de controlar as funções corporais.
Em teu corpo opera uma inteligência maior que a mente humana. É a mesma inteligência que sustenta a natureza.

Para aproximar-te ao máximo desta inteligência, torna-te consciente de teu próprio campo energético interno, sente a vida, a presença que anima o organismo.

Quando percebes a natureza apenas com a mente, por meio do pensamento, não podes sentir sua plenitude de vida, seu ser.
Unicamente vês a forma e não estás consciente da vida que anima, do mistério sagrado.

O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio para conseguir benefícios, conhecimento, ou algum outro propósito prático.

Observa, sente um animal, uma flor, uma árvore, e vê como descansam no Ser.
Cada um deles é eles mesmos.
Eles têm uma enorme dignidade, inocência, santidade.

No momento em que olhas além dos rótulos mentais, sentes a dimensão inefável da natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.

É uma harmonia, uma sacralidade que além de preencher a totalidade da natureza, também está dentro de ti.
O ar que respiras é natural, como o próprio processo de respirar.

Diriges a tensão à tua respiração e perceba que não és tu que respira.
A respiração é natural.

Conecta-te com a natureza do modo mais íntimo e interno percebendo a tua própria respiração e aprendendo a manter tua atenção nela.
Este é um exercício que cura e energiza consideravelmente.
Produz uma mudança de consciência que ti permite ultrapassar o mundo conceitual do pensamento e atingir a consciência incondicionada.

Precisas que a natureza te ensine e te ajude a conectar-te com teu Ser.
Não estás separado da natureza.

Todos somos parte da vida única que se manifesta em incontáveis formas em todo universo, formas que estão, todas elas, completamente interconectadas.

Quando reconheces a santidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade que existem em uma flor ou em uma árvore, acrescentas algo a esta flor ou a esta árvore.

Pensar é uma etapa na evolução da vida.
A natureza existe em uma quietude inocente que é anterior à aparição do pensamento.

Quando os seres humanos se aquietam, vão além do pensamento. Aquietude que está além do pensamento contém uma dimensão maior de conhecimento, de consciência.

A natureza pode levar-te à quietude.
Este é o presente dela para ti.

Quando percebes a natureza e te unes a ela no campo da quietude, este se enche com tua consciência.
Este é o teu presente para a natureza.

Através de ti, a natureza toma consciência de si mesma.
É como se a natureza tivesse ficado à tua espera durante milhões de anos para adquirir esta consciência.






Fonte: AMIK e Carlos Rangel Santiago Querétaro

domingo, 6 de junho de 2010

FELICIDADE REALISTA

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a
gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem
podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos
por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de
velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos
ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta
televisão...

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais
realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de
felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances
ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor
minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente
tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando
coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um
pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o
improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem
almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar! É importante pensar-se ao
extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas
sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa
seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está
alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras,
demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para
ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode
encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e
provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão,
entusiasmo, mas não felicidade.








Mário Quintana.