domingo, 3 de janeiro de 2010

O SUTRA MENOR DA CASA DE SAIBRO

Ordinary human love results in misery. Love for God brings blessedness.

Sri Sarada Devi.







I. Coração de Pedra & Metanóia.











Pedra lisa e úmida.
[Musgosa].


Confessemos a condição
de pedra à Luz Mesma.


[E basta-nos de Confissão!].


E a brisa, o musgo
desaloja. [Desaloja
o musgo, a brisa].


Confessemos a pedra
à Luz. Expliquemos a
Deus [ao Céu-em-nós]
a Escala Maior das
Coisas.


Não imergirá a pedra
em vã minúcia [ou em
água pútrida]. Nem o
Deus-em-nós. Mas em
Fé Acesa e Incisiva.


[E não nos fiemos em
Textos ou Hierarquias:
Há Anjos travestidos em
Fantasmas. E vice-versa].


Envolvamos a pedra
negra e lisa com Luz
Branca. Enxuguemos
sua água.


Em pedra seca, não
haverá musgo.


Não haverá musgo
em pedra seca.









II. Trazendo Ar ao Deus Mau [&

Mal Incutido]: Demiurgo Mau.

[Testamento Antigo].







Respirando, traz
paciência ao Impaciente
Deus que em ti Trepida.


Ora por ti e por Ele: porque
tu O acolhes, e Ele te acolhe
mal.


[Ora te Acolhe, ora te Repudia,
Este Deus Temperamental].


Não deixes Este Deus alegar
Que O fizeste sofrer: Ele dizimou
Povos. E o sangue dos homens é o
Seu Lagar.


Larga-O!


Mostra-Lhe a Escala Maior
das Coisas.


Ajuda Este Deus [Bebê Birrento
e Perigoso] a Equilibrar a Balança
da Caprichosa Injustiça, com a Justiça
e a Misericórdia.


[Ele nada Sabe de Misericórdia,
por mais que Blefe e Esperneie].


Como Criança Fútil e Torpe, Fez
Do Universo o Seu Brinquedo. Nele
Exerceu e Exercitou os Seus Caprichos.
E não Se Cansa, pelos Séculos dos
Séculos.


Mostra-Lhe, respirando, a Escala
Maior das Coisas. Este Deus que,
em vez de Falar, Queima e Troveja:
Modelo de Poder com Suprema
Ignorância. [Ígnea e Ímpia
Mistura].


Aquieta Este Deus que Deambula
Demais, Perambula, Circum-Ambula,
Fala Mal e é Tagarela. Aquieta Sua
Iníqua Agitação.


Se a ti Ele Reclama, de Forma Plena
e Ininterrupta, aquieta-O, em teu
silêncio. Respira, respirar brando.


Se a ti Ele Reclama de Forma Inin
Terrupta & Plena, a Possessividade
d’Ele está Acima [e portanto, Abaixo]
do Enorme Apego Humano. [Quão Iníquo
e Apegado é Este Deus]. Respira brando e
perdoa-O. É teu dever de homem. O Perdão
está Acima de Sua Capacidade. Não O Deixa
Matar [com Seu Trovão] tua Bondade Humana.


Se Este Deus-Mais-Que-Apegado quer Pegar
[quer Roubar] teu coração, não O deixa fazê-lo
[Deus: além de Mau Juiz, também Ladrão].


Se te imaginas pelo Deus chantageado
[ou chantageada], a partir do Trovão,
Coroa ou Chaga, não o consinta:
amputa-O!


Como está escrito, no âmago
de cada bom coração: melhor
o Deus sem Mão [ou Braço] do
que perderes a Alma.





Cura-te da Antiga Prosternação
[do Testamento Antigo: Oh, Cego
Deus e Ávido Deus que em Ti Habita]:
nenhuma pessoa [ou Escritura] te trará
alívio. A palavra humana é como palha.


[Ou bala mortífera].


E o Silêncio é Ouro ou
Prata [segundo a Vastidão, a
Tendência, o Tom e a Cor da
Solidão de Cada Alma].


Confia no Mistério da Luz
Branca. E, das Orações, escolhe
a mais sucinta: Aquela que de Ti
mesmo Brota. Cada qual Ora de
Modo Único & Intransferível.


Eis o Mistério: Enxergar, das
Vozes Todas, A Voz Que Se
Precisa.


Eis o Batismo. Aliança Envolta
Em Paz Profunda. [Enxergar,
das Vozes Todas, a Voz Que Se
Precisa].


Não há Euforia na Oração. [Oh,
Aleluias!]. Não há Compêndio.
Não há Humana ou Histórica
Rememoração.


[Não há Arqueologia do
Sentimento].


Não há Tolo Inventário
das Enormes Ações Humanas.
[Heróico-Proféticas, sobretudo].


Amor-em-Oração [Ensina Isso ao
Deus-que-em-Ti-Habita] não é Afã
[Oh, Aleluias!], não é Arfar. Não é
Supiro-de-Amor [nem Desespero
-em-Suspirar]. Amor é Branca Brisa
& Graça Sobre Brasa Arrefecida: Antes
Rubra, agora [já] Abrandada [& Em
Branquecida]. E já Não Lesa Mais
[a Brasa] a Pedra Negra e Lisa
[: Teu Pétreo Coração!].


[Pedra Musgosa:
Difícil Metáfora!].


Jesus Orava Só.
[Oh, Aleluia!].


Ensina ao Deus-Em-Ti, que
Anseia por Multidão [& Coro
& Aplauso], a Escala Maior das
Coisas.


Jesus Orava Só.


Ora Tu [também]
no Teu Quarto.


[Onde só Te Veem a
Luz & a Própria
Sombra].







Respira Branco e Observa
Branco. Esqueça as Esposas
de Cristo [& Amantes do Coração
Chagado]. Prefira a Sobriedade dos
Mártires [sem Contorções ou Con
Traturas Nupciais]. Observe os
Mártires [observa-Os, Tu]
Caminhando, límpidos, ao
Encontro da Morte.



[Namo Ārya Vibia Perpétua

Sarada Sati!].


Respira Fundo [& Branco]
e suspeita daquelas almas
que se pretendem, de Deus,
as prediletas. Se cada qual se
suspeita a si mesma a certa [ou
preferida], em Contorção Divina,
é mais-que-certa a Conclusão:
estão todas erradas. [Os Místicos
do Coração Chagado dirão o contrário:
Certas Estão Todas].


A Eleição nos Precariza.
Caricaturiza-nos Missão
ou Tarefa.


Eleição [alegada ou presumida]
desfigura o rosto, apaga o riso,
obnubila [cada] raio de sol.
Obstrui a Luz. Afasta a
Graça e a Brisa.


Respira Branco e Escuta:
Por mim Mesmo Sei: Deus
Só fala a cada um no Íntimo.
Depois, fala no Íntimo de cada
Um. Deus é Intimista. Mas não
Intimida a Alma que se presta à
Busca.


Respira Branco e Escuta:
Por mim mesmo eu sei: Im
Possível o Coro de Vozes no
Mesmo tom, no Mesmo Ím
Peto. [Mesmo nas Vozes dos
Anjos Há Timbres Distintos].


Respira Branco e Foge da
Uniformização. É Concerto a
Música do UniVerso [: não
Bordão]. Cada qual tem seu
Padrão [Seu Padroeiro: Yidam].
[E o Diapasão que lhe afina o
Mais Secreto Anseio].


Tu és a Personificação desses
Votos.


Vós Sois, dos Votos, a
Personificação.


Por Mim Mesmo eu Sei:
Por querer da Luz Maior
Branco, olhei pro Céu e
Comparei: Estrelas e
Constelações de
Fiéis.


Cachos de Uvas Diversas:
Umas Doces, Outras Ácidas
[em Meio ao Caos, Orbes e
Urzes].


Comparei Cristãos Ocidentais
Com Ortodoxos: São Luís com
Padre Charbel Mahkluf.


[Conheço, dos Cristãos,
Setecentas e Setenta e
Sete Nuances].


Mas Vós Sois dos Votos
A Personificação.


Respira Branco e Escuta:
Por Mim Mesmo Sei: Das
Coisas Todas, Boa Fração.


[Mas Fração da Escala
Maior das Coisas].







III. O Maior Sofrimento & Primeiro







Olha a Escala Maior das Coisas:
a que nos mostra, dos Sofrimentos,
o Primeiro [das Limitações, a mais
Humana]: a Impossibilidade da
Comunicação Completa.


[Cada qual a tem bem guardada,
em seu próprio tom e em sua cor
própria].


Mas este Sofrimento [Longo &
Primevo] Myriam ultrapassa: por
ter visto no Filho [sem fugir ou
virar o rosto] a lança no flanco
transpassada.


Myriam olha para o que mal
sabem os homens. [Ou fingem
que desprezam]. O Olhar de
Myriam nos Atravessa: Ela
Própria com a Lança nos
Olhos Transpassada [e
Fel no Céu da Boca].


De vez em quando, Ela
Fala: em Fátima, em Lourdes,
em Merdjugorje.


Myriam Conhece o Fulcro, o
Núcleo: o Centro do Coração
de Onde Jorrou Sangue &
Água.


[Para Sempre Bendita, a Mãe;
para Sempre Bendito, o Fruto].


Mas o que mais nos fala, a nós
[vindo da Mãe] não é a Voz [não
é a Fala]: é a Intrepidez em Ver
o que negam os homens [no
Fundo das Almas].


Isso não se conta [nem se
Canta] com a Boca; mas com
os Olhos. [É como a Luz Branca
que se adivinha, ao Longe, na
Capela, Oculta].


Tu, também, não vires o
Rosto. Para cada qual, seu
“Quantum”, seu Fardo. [Sua
Cruz, seu Ombro].


Se o Deus-em-Ti estiver mal
Incutido [Voraz, Cruel, demasiado
Ávido], Tornar-se-á Inexaurível.


Embalemos, pois, o Inexaurível
em Sopro Brando [& Branco] para
que não Permaneça [em-nós]
para sempre Exausto &
Insaciado.


Para cada qual, seu “quantum”
e seu fardo; sua cruz, seu ombro.
Para o Silêncio, caminhamos todos.
Com os próprios pés e pesados passos.
[Leves de se ver; secretos em seu peso].


Cada qual em próprio curso, a lhe
exigir Esforço Específico. [Acho justo:
muito pior o Culto Coletivo].


[Que o Deus-Acima Nos Livre da
Mesmice dos Modos-do-Passo].


Que sejam os teus passos e
os meus diversos. Que sejam
os santos [& sãos] pouco comuns
[& controversos].


Alguns escrevem para o
Proveito das Almas. Eu,
para a Indagação.


[De Escalas & Modos de
Oração].



IV. Pathos e Dukkha







Há muita Paixão no
Mundo [Pathos]. Ele
Arde em Chamas. Alguém
acaba de se suicidar por perder
a fama. Outro faz o mesmo: por
calúnia. Ou falência.


Há, no Mundo, muita Paixão.
E Abaixo do Alto Horizonte [ou
Do Horizonte Bom, Se Lhe Dê o
Nome de Deus ou Alvo Remoto]
Só há Grito e Dor & Pasmo & Mover
Inquieto.


No Mundo há muita Paixão [Pathos].
E, Abaixo do Mais-Alto, Teorema In
Solúvel, Equação-Sem-Variável. Cólica
-Sem-Resolução [Dos Rins, do Útero].
Desejo Infinito [Outro Nome pro Deserto].
Angústia-Sem-Fim. Sede & Fome [Fome &
Sede] de Espírito Faminto. [Preta ou Asura].


Abaixo do Horizonte Bom [Chame
-Se a Isso Deus ou Desapego], há Lixo
& Visgo. E se está com um Ingresso na
Mão, para o Espetáculo Errado [Adrenalina
Pura ou Pálida Quimera]: no Bar, no Baile, na
Ópera.


Tudo é Pouco e Quase-Tudo é Tanto
& Tão-Pouco & Tão-Fútil. Abaixo do
Horizonte Alto.


Alguma Paz no Coração será Recanto,
Ou Silêncio. Para Tal, Há Voto-Sempre
-Pessoal, Impulso Próprio, Tomada-de
-Consciência, Metanóia, Compreensão
-em-Curso, Mudança, Oração. Mas não
Há Ingresso Comprado.


Não há Roubo ou Trapaça que Arrombe
A Porta do Quarto Isolado. E é Porta
Estreita que Só Se Acha a Custo [“Se
Tiveres Fé Como Um Grão de
Mostarda...”].


No Mundo Há tanta Paixão [Pathos].
E Abaixo do Horizonte Bom [Dê-se a
Ele o Nome de Nirvana ou Céu], só há
Tempo Perdido [Proust]. Ou se
maquiando. Ou Céu Minguado.







Abaixo do Horizonte Bom
[Se Lhe Dê o Nome de Bem Maior
Ou Cristo], não há Descanso, nem
Justa Medida. O Mundo é Dor e Aflição.
[Dhukka].Transitório e Impermanente.
[Anitya]. Desejo-sem-saciedade. [Tanha].
Insatisfação-Engendrada-Em-Si-Mesma.
[Samsara].


Transpor essa Base: Paz Profunda,
Salvação, Nirvana. Negá-la: Falácia.
[Avidya].


O Soar do Sino O Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Abaixo do Horizonte Bom, o Caminho
Se Faz com Coragem. A Primeira Coragem
Se Chama: “Ver-De-fato-O-que-Se-Está-Vendo”.
[Sem Mentira, Auto-Engano, Subterfúgio].


Pensa em José indo ao Egito, com
Jesus-Bebê, fugindo de Herodes.


O Soar do Sino o Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Admitir a Limitação [Intrínseca
Insatisfação] do Visto [e no Visto].
E, pelo Ver-Isto, fazer minguar a
Sede-Vã-Que-Atrai-Ao-Perpétuo
-Círculo [Samsara]. Esta Sede-Que
-A-Si-Se-Enche [Tanha]: Vicioso
Apego, Visgo.


Pensa em Jesus Coroado em Dor,
com Manto Escarlate.


O Soar do Sino o Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Aprende com Ele [com Jesus] a
Elevar o Passo [mesmo de Rosto
Baixo] acima do Humano Desprezo.


Expande o Silêncio o Soar do Sino.


No Mundo Há Tanta Paixão [Pathos].
Há Febre no Mundo, e o Desejo Vil [ou
Vão] Que Não se Esgota. Eu quero
Compreensão, não Dogma [que
Esbugalha o Olho, faz Tremer a
Mão e deixa a Capela mais
Escura].


Eu quero Compreensão, não Dogma.
[Luz Que Aquiete Essa Trepidação Que
Nos Há por Dentro]. Eu Quero, do Sino,
a Derradeira Nota.


O Som do Sino Não Mais Retine.


A Tua Voz [Tu Que Me Lês] é
Tênue Lume.


Pairemos, os Dois, sobre
Herodes.


Misere Cordis.





Que o Sino [Litúrgico &
Íntimo Sino] Suspenda o
Excesso de Indagação.


Que o Sino [Íntimo &
Litúrgico] Suspenda o
Ruído do Mundo. E o
Coro dos Religiosos.


Como Cantam & Falam,
Todos, Parecidos! [Misere
Cordis!]. Perderam seus
Timbres & suas próprias
vozes.


Não chamo a isso “avanço”,
Em nenhum sentido. Mas retrocesso.
E não confundo “coro” ou “mimesis”
com “morte-do-ego”. Melhor seria
dito: “achatamento”. [Misere
Cordis!].


Tenho dó das crianças submetidas
às misérias dos Catecismos, e aos
Trovões ruidosos e Iníquos do Antigo
Testamento [Oh, Testamento Antigo!].


Tu, no entanto, não tenhas medo
e dorme no meu peito. Posso [e sei]
oferecer meu ombro.


Que o Som do Sino [Litúrgico &
Íntimo] Abafe Todo Ruído. [Dos
Gritos dos Maus; dos Filhos do
Deus].


As Instituições Escravizam, pois
Visam Passar a Visão-de-Cada
-Qual Pelo Mesmo
Filtro.


Que o Som do Sino [Íntimo
& Litúrgico] Abafe [pois] Todo
Ruído.


Há muita Paixão no Mundo
[Pathos]. Há muito Visgo cá
Em Baixo. E a Ascensão [ou
Ascese: Tapas] Se Faz Aos Poucos:
Subindo Uma a Uma as Oitavas [ou
Plataformas] da Espiral do Tempo.


Porque é Espiralado o Tempo em
Que Vivemos [Cronos]; e Nada Sabemos
do Tempo Legítimo [Kairós]. E Não
Acordamos no Tempo Legítimo.


[E Não Vislumbramos
Quando Kairós Engole
Cronos].


Depois de transpassarmos Degraus
& Ciclos Completos, Acordaremos
no Legítimo Tempo. Sem Precisar,
para Isso, Vestir Manto ou Hábito.


Talvez: o Escapulário por Sob a
Blusa, bem Discreto. Talvez: o Tau,
A Cruz de São Francisco para os Irmãos
Leigos [que, dos leigos, são mais irmãos].


Há Pistas das Plataformas em Espiral.
Lembremo-nos da Escada de Jacó. Do
Itinerarium [São Boaventura]. De Gregório
Palamas. E da Escada de Máximo, o
Confessor. [Lembremo-nos da
Ascese Árida dos Padres do
Deserto].


Lembremo-nos da Solidão do
Deserto: Pão Ázimo & Rústico
Alimento [para os que Ousam
Se Perder e Dilatar-Se em
Paroxismo & Ápice].


[Ápice & Paroxismo].


[Misere Cordis! Lembra-te
De Rezar a São Serafim de
Sarov].







V.Personalização da Trilha







Eu me deixo contagiar pelas
Almas que melhor viveram.
Sim: eu me entusiasmo pelas
almas mais vivas. E o reflexo
disso [pálido reflexo] será uma
ou outra Escritura. Buddhaghosa.
Visuddhimagga. [O Caminho da
Pureza, do Cânone Theravada].


Eu me contagio pelo exemplo
[ou com o exemplo] das Almas
Mais Vivas. E o que deriva disso
é um ou outro Texto: o Diálogo
de Nāgasena com o Rei Milinda
[Milinda Pañha, outra Escritura
do Cânone Antigo. Budista].


Eu me alimento do que deixaram
as Almas Vivas. E de uma ou outra
Lâmpada que permaneça Acesa depois
da Despedida. Aśvaghoṣa. Buddhacarita
[Vida de Buddha de Forma Épica: em frases
de Poeta]. Eu me alimento e me ilumino pelas
almas vivas, e pela Luz que permaneça Acesa
[em texto, em súmula, em glosa]. Aśvaghoṣa.
O Lamrim de Atisha: Sumarizada Lâmpada.
The Jewel Ornament of Liberation, de
Gampopa. [Guirlanda Sagrada].



[Namo Gampopa Sonam Rinchen

Nyamed Dakpo Rinpoche!].


Eu me alimento de exemplos vivos
[ainda que mortos] de santos de todos
os povos e credos. E uma pequena coleção
de textos e registros: Atos de Felipe,
Evangelho de Nicodemos. Sim, em minha
Coleção eu incluo [e privilegio] os Apócrifos
e os escritos por mim mesmo [Os Mistérios de
Deus Segundo Caim e O Sutra Menor da Casa de
Saibro].


Mas, no Fim de Tudo [e no Fundo do
Fim], eu fico mesmo com o Amor de
Cristo [Amor Desapegado & Compassivo]
e com o Desapego de Buddha [Desapego
Compassivo & Amoroso].


O mais, não coleciono. Nem
nego.


[Oh, Samantabhadra! Vóis sois
a Expressão desses Votos!].


Eu pertenço a todas as Famílias
de Buddhas e Bodhisattvas. [O
que Inclui Pertencer a Cristo].


Apreendo os votos de
Samantabhadra, como
proferidos na “Guirlanda de
Flores” [de Todas as Guirlandas]:
Avatamsaka Sutra. Sou sólido, porque
não sectário. Não temo a Vastidão do
Branco Sagrado [& Sagrado Branco].
Sentado em Enorme Montaria [Elefante
Sagrado, Sagrado Elefante] não temo
Equilibrar-me em Assento Firme & de
Monumental Peso. [Oh, Samantabhadra,
Vós Sois a Personificação desses Votos!].
Para todos distribuo Flores de Lótus &
Sagrados Ensinamentos.


No Outro Tempo [no Tempo que
Virá, após meu tempo], nem Mansão,
nem Castelo. Morarei numa Casa de
Saibro.


Agora, falo do Branco. E d'Ele brotando
Vermelhos & Azuis. Ou: “O Reino de Deus
Está Dentro de Vós” [Como Disse o Mestre
Jesus].


Veja Aquilo! Não é Amarelo Ouro!
É Pólen Espalhado ao Vento, pelos
Índios Navajos. Eu também te ofereço
Pólens & Lótus Amarelos. Eu doo o que
Mesmo Me Falta, como Mendigo de
Mão Aberta [Dana]. Bem firmado em
Ética [Sila], Eu Cavalgo o Cavalo de Vento
[Tibetano: Lung Ta; sânscrito: prana].


“Mendigo-Que-Dá”. Não estranhe o
Paradoxo. Cuia aberta [peça de esmoler
ou de esmolando: mendigo molambo], mas
também Aberta ao Outro. O Amarelo Ouro
também é Clamor por Trigo. Às vezes, eu
Peço. Outras vezes, Amasso na Mão o Pão
Que Eu Mesmo Fabrico. E Distribuo. [Em
Micro-Comunhão]. [Em Comunhão-Micro].


Por Isso, também pertenço à Linhagem
dOs que Vagam. À Linhagem dOs Sem-Dono.
[à Linhagem do Pólen-em-Voo, dos Índios
Navajos].


Eu falo de estar Assentado na Presença
[Parousia, em Grego]. Eu falo das Famílias,
eu pertenço às Famílias. O Buddhadharma
[A Lei Bem Proferida] e os Evangelhos me
Dão Este Direito: Conexão Minha & Própria
[& Intransferível] com o Fulcro da Vida [com
O Centro da Roda que Gira, até Perceber-me
Imóvel, Tocando a Terra como Testemunha
De Meus Direitos, pela Soma de Meus Bons
Passos].



Eu me Assento na Presença [em grego,
Parousia]. E me situo no Centro. No Ponto
Focal & Irradiante dos Votos Proferidos.
[Nem Castelo, nem Mansão: Eu moro
na Casa de Saibro]. A Extensão dos
Votos é Onde Alcança meu Braço.


Eu estou Assentado na Presença.
E de Onde Estou, Contemplo o Espaço.
[Azul Safira]. Apaziguo Inquietações, Raivas,
Ventos, Raios, Trovões. [Indra & Maruts].
O Gesto de Tocar a Terra [Bhumisparsha
Mudra] e tomá-la por Testemunha dos
Meus Atos [Bhumisparsha Mudra] é
Gesto Necessário [e Raiz Necessária]
pra me Lançar no Safirino Abismo.
[Gesto Moral: Fio Terra no Espaço
Oni-Inclusivo].


[Meu Fio de Prumo].


Assentado em Presença [Parousia]
e Tocando a Terra [Mudra de Aksobhya,
“O Imóvel”: Bhumisparsha; Mudra de Buddha
Afastando as Tentações de Mara/ Satã, em sua
Imperiosa Hora] eu olho o Ignizado Vento e a
Tempestade. Não me toca o Portador do
Raio [Jeová ou Vajrapani].Eu Equilibro a Ira
Da Justiça Cega chamando a Terra como
Testemunha para Inventariar meus
Passos [Não Inventando].


“Com Que Direito te Libertas e me
Negas?!”Ousou perguntar, ao Buda,
O Tentador. “Com o Direito que Me confere
a Terra!” E a Terra rugiu & tremeu, confirmando.
“Se não Dissésseis que Sou Jesus e Que Sou Mestre,
Se Não dissésseis que Sou o Ungido & Consagrado,
[o Messias, o Cristo] essas mesmas Pedras o
Profeririam!”


[Até as pedras O Declamariam].


Eu toco a terra e penso na Trama
Entre o Pó e as Estrelas [Eu Toco a
Terra e Vislumbro a Interdependência,
Vislumbro o Karma e a Trama Cósmica].
Sou Pó. Mas Pó de Terra & Estrela. Da
Minha Mão Brota uma Flor [às Vezes
Uma Luz Rosa]. Às Vezes, Cai, em
Mim, a Lágrima de Quem tem Um
Milhão de Mãos, um Milhão de Olhos.
[Avalokiteśvara, Kuan Yin, Kanzeon].


Guardo a Lágrima que Molha a Flor
[na mão espalmada, minha], lágrima
Verde [esmeraldina] numa Colher de
Prata. [E agora é Nova Vida a Flor que
Brota: Lágrima de Mãe Arrependida, ou
Que Chora].


[Tara, Guadalupe, Nossa Senhora].


Da lágrima sobre a rosa, advém meu
Choro. Eu Olho a Vastidão do Azul Safira
E vejo-O declinando [de Si, mais Brando,
Se Concedendo] em Lilás ou Suave Roxo.
É minha, também, a Contrição pelos Mortos.
[Kṣitigarbha; Jizō Bosatsu].


Por Assentado que Estou [& Contrito],
Sou Encontrado Pelo Que Busco, Antes
Mesmo de Buscá-Lo. Ele Me Encontra.
E Aprendo que o Encontro Já Está Im
Plícito Na Mais Funda Busca, por Sua
Entrega & Risco. [Namo Amitabha
Buddha!].


Sentado na Presença [Parousia],
Descanso na Estrada Imensa sem
Descansar, Cansar ou Desistir do
Passo. E só Descanso por Isso: por
me Saber Medido [concreto in Abs
Trato, fenômeno in Noumenon] em
Suprema Desmedida. E só Descanso
Por Isso. [Namo Amitabha Buddha!].


E só por Bem Assentado e Bem Medido
[Encontrado Onde Mesmo Não me Busquei],
Vejo Emergir [no Lugar da Flor] uma Espada
Acesa. Pungência [& Urgência] Contrastada a
Infinito Fundo. Fronteira de Discernimento por
Me saber Ainda Não Possuindo: entre o Visto &
o Vão, entre fenômeno e Noumenon. Agudeza-
bem-temperada [cravo-bem-temperado: Bach]
pela Abertura entre a Noção e o Não-Ainda [ou
Ainda-Não]. Presença Sutil [eu sobre a
Presença] entre a coleção de dharmas
fugidios [as dez mil coisas] e o Profundo
Abismo que nO Coração de Deus se Abriu.
[Namo Amitabha Buddha!].


Sentado em Presença [Parousia], Abro as
Mãos e os Braços : Sou Alpinista. Solto-me
em Penhasco-de-Presença e me Abro [Asas]
em Pleno Vácuo [o Todo-Nada: Śūnyatā].
Percebo-me não mais do que esboço-de-mim
-mesmo [grafismo ou “anseio gráfico”].
A Respiração é Ampla e Me Sai como Rugido
[: Simhanada!], bem no Fulcro da Vida [&
no Núcleo de Cada Átomo].


Assemelhado à Cólera é, no entanto,
Compaixão.


Nem Castelo, nem Mansão: Eu Moro
na Casa de Saibro.


Em Meu próprio Brado, Vejo o Trovão
Pacificado [Bem Assentado em Presença].
Diviso tons de Lazúli e Turquesa no que antes
Era Infinito. E a noção de cor [declinada cor] se
derrama sobre mim como mantra, como bálsamo,
como Aspiração Pura. Como Cura, enfim.
[Bhaisajyaguru; Yakushi Nyorai].


Bálsamo Veio do Rugido. Da Compaixão
Não-Diluída que Cobra, de mim, o Próprio
Prumo & Correção [& o Próprio Prumo
Cobra]. Colocando-me, não em Apuro:
mas em Estreita Rota [& Estrita].


[Eis, de novo, a Porta Estreita em
Íngreme Encosta; Sou Alpinista.
Alpinizo a Luz, que Sana & Limpa,
Sem Grudar No Íntimo].


Filhos de Boas Famílias: de Buddhas
E Bodhisattvas. Filhos de Cristo. Atravessemos
Os Vales da Dor e as Rodas que Giram [Íxion &
Sísifo; e o Vale de Lágrimas dos Salmos].
Atravessemos o Jardim das Oliveiras
[Getsêmani], pois haveremos de
conhecê-Lo [Façamos companhia
a Jesus, sem desanimarmos de
Caminhada, Cruz ou Calvário].


[Gólgota].


Filhos de Boas Famílias. Filhos de José
Ou João, Jesus ou Maria. Que nosso Coração
Seja Amplo para acolher a Solidão do Horto.
Tenhamos dado de beber a Sede de Deus,
em cada corpo humano. Tenhamos dado a
Ele de Beber, da Água que Tiramos de Nós
Mesmos. [Aos Cântaros]. Como Jesus Deu
de Beber à Samaritana [e Água lhe pediu],
em frente ao poço.


[Acqua Permanens].


Que nosso Coração Seja Amplo.
Recitemos, em Gratidão, o que
Já Sabemos [para sabermos mais
Fundo e Melhor]: os Evangelhos de
Marcos, Mateus, Lucas e João. Os
Outros, que nos tiraram. O Vimalakīrti
Nirdesa Sūtra e o Sutra do Lótus. O
Avatamsaka Sutra ou o Sutra Menor
Da Casa de Saibro.


Recitemos, em gratidão, o que já
Sabemos, para que Melhor Saibamos.
Recitemos as Bênçãos que já Recebemos,
ou que Vislumbramos. Recitemos, em Gratidão,
às Terras Puras que já entre-Vemos [“Há Muitas
Moradas na Casa de Meu Pai”].


Comunguemos: Buda & Jesus são
Irmãos.


Saudemos os Patriarcas & Mestres
das Tradições. Aprendamos com Suas
Vidas & com Nossas Próprias.


Recitemos em Gratidão ao que
Já Temos [Doença ou Contra-Tempo;
Trabalho ou Limitação: são todos
Pontos-de-Apoio].


Recitemos e sejamos Gratos aos
Ancestrais e à Terra que Pisamos.


Recitemos e sejamos Gratos aos
Exemplos que Tomamos [nas diversas
Tradições], em Íntimo Oratório. [No
Silêncio também Comungamos].


Recitemos, gratos.


Entregando-nos ao Coração de
Cristo. Entregando-nos à Misericórdia
De Cristo. Entregando-nos ao Fulcro da
Vida, ao Coração da Lei, ao Corpo da
Verdade [Dharmakaya].


Louvados sejam os Sagrados
Caminhos. Louvada Seja a Inescrutável
Amplidão de Deus. O Caminho já está bem
aplainado pela pegadas de Buda, pelo exemplo
de Cristo, pela compreensão dos mestres, para
o Benefício do Mundo.




OM SAMAYAS TVAM!


[VÓS SOIS A PERSONIFICAÇÃO DESSES VOTOS!].







Namo Mahavatar Mahakaruna Mahasiddha Jesus Bodhisattva.











Fim do Sutra Menor da Casa de Saibro.











Marcelo Novaes


03/01/2010.

Nenhum comentário: