segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A DIVERTÊNCIA CONTRA A MALDADE









O homem de Belial, o homem vil, é o que anda com a perversidade na boca, acena com os olhos, arranha com os pés e faz sinais com os dedos.
No seu coração há perversidade; todo o tempo maquina o mal; anda semeando contendas.
Pelo que a sua destruição virá repetinamente; subitamente, será quebrantado, sem que haja cura.
Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.










Provérbio 6.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

COM O SALVAR SUA CASA










Sangha Virtual

Estudos Budistas

Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh


Como salvar a sua casa



Quando alguém diz ou faz alguma coisa que nos deixa com raiva, nós sofremos. Temos a tendência de dizer ou fazer de volta alguma coisa que também provoque sofrimento na outra pessoa, na esperança de assim sofrermos menos. Pensamos: Quero punir você, quero fazer você sofrer porque você me fez sofrer. E quando eu perceber que você está sofrendo bastante, eu me sentirei melhor.”



São muitos os que acreditam nessa prática infantil. O que acontece é que, quando você faz o outro também sofrer, ele tentará sentir alívio fazendo você sofrer mais ainda. Cria-se assim um processo progressivo do sofrimento de ambas as partes. Na verdade, as duas pessoas necessitam de compaixão e ajuda. Nenhuma das duas precisa ser punida.



Quando você sentir raiva, volte-se para dentro de si mesmo e cuide dela o melhor que puder. E quando alguém fizer você sofrer, cuide do seu sofrimento e da sua raiva. Não diga nem faça nada. Qualquer coisa que você diga quando está com raiva pode causar ainda mais dano ao relacionamento. No entanto, a maioria de nós não faz isso. Em vez de nos voltarmos para dentro de nós e cuidarmos da raiva, queremos ir atrás da outra pessoa para puni-la.



Se sua casa estiver pegando fogo, a coisa mais urgente que você tem a fazer é tentar apagar o incêndio e não correr atrás da pessoa que o provocou. Esta não seria uma atitude sábia. Da mesma maneira, quando você sente raiva, se continuar a discutir com a outra pessoa, se tentar puni-la, você estará agindo exatamente como aquele que corre atrás do criminoso enquanto as chamas estão devorando a casa dele.



O Buda nos deu instrumentos extremamente eficazes para apagar o fogo que arde dentro de nós: o método da respiração consciente, o método do andar consciente, o método de abraçar nossa raiva, o método de examinar profundamente a natureza das nossas percepções e o método de observar profundamente a outra pessoa para compreender que ela também sofre muito e precisa de ajuda. Esses métodos são muito práticos e procedem diretamente do Buda.



Inspirar conscientemente é saber que o ar está entrando no corpo e expirar conscientemente é saber que o corpo está permutando ar. Assim, você fica em contato com o ar e com o seu corpo, e como sua mente está atenta a tudo isso, você fica em contato com ela também. Basta apenas uma única respiração consciente para voltar a ter contato com você e com tudo em torno, e três respirações conscientes para manter esse contato.



Quando estiver andando de um lado para outro da sala, ou de um prédio para outro, permaneça consciente do contato dos seus pés com o solo e do contato do ar à medida que ele entra e sai do seu corpo. Procure descobrir o número de passos que você pode dar com conforto enquanto inspira e quantos você pode dar enquanto solta o ar dos pulmões. Enquanto inspirar, você pode dizer mentalmente "entrando", e quando expirar, "soltando". Desta forma você estará praticando a meditação sempre que andar e, com isso, poderá transformar a vida do dia-a-dia.



Não basta ler livros a respeito de diferentes tradições espirituais ou realizar seus rituais. O importante é praticar os ensinamentos dessas tradições, porque são eles que podem nos transformar, não importa a religião ou tradição espiritual a que pertencemos. Se você procurar praticar aquilo que estou lhe ensinando, deixará de ser um mar de fogo e se tornará um lago refrescante. Seu sofrimento vai diminuir e você se tornará uma fonte de alegria e felicidade para muitas pessoas à sua volta.



Sempre que surgir a raiva, pegue um espelho e olhe para seu reflexo. Quando você sente raiva, centenas de músculos do seu rosto ficam muito tensos e você deixa de ser uma pessoa bonita. Sua face parece uma bomba prestes a explodir. Olhe para alguém que está com raiva. Quando nota a tensão nessa pessoa, você leva um susto. A bomba dentro dela pode explodir a qualquer minuto. Por isso, é muito útil olhar para nós mesmos nos momentos em que estamos com raiva. Este é o sino destinado a alertar a mente, pois, quando você se vê dessa maneira, sente vontade de fazer alguma coisa para se modificar. Você sabe o que precisa fazer para melhorar sua aparência. Não são necessários cosméticos, basta respirar profunda e tranqüilamente, relaxar e sorrir conscientemente. Se você conseguir fazer isso uma ou duas vezes, sua aparência ficará mais bonita. Olhe-se simplesmente no espelho, inspire com calma, solte o ar sorrindo e você sentirá um grande bem-estar.



Como já disse, a raiva é um fenômeno psicológico, mas está estreitamente ligada a elementos biológicos e bioquímicos. Ela faz os músculos ficarem tensos, mas quando você sorri abertamente começa a relaxar e a raiva diminui. O sorriso permite que a energia da plena consciência nasça em você, deixando-o abraçar a raiva.



Antigamente, os servos dos reis e das rainhas sempre tinham consigo um espelho para verificarem sua aparência quando o monarca recebia um visitante. Experimente fazer isso. Carregue com você um espelho e mire-se nele para ver qual o seu estado. Depois de inspirar e expirar algumas vezes, sorrindo para si mesmo, a tensão será substituída pelo alívio.



A raiva é como um bebê que grita, sofre e chora. Ele precisa que a mãe o abrace. Você é a mãe do seu bebê - a sua raiva. No momento em que começa a praticar a respiração consciente, você possui a energia de uma mãe para embalar e abraçar o bebê. Abraçar a raiva, inspirar e soltar o ar já é suficiente. O bebê sentirá um alívio imediato.



Todas as plantas são nutridas pela luz do sol, e todas são sensíveis a ela. Qualquer vegetação que é abraçada pela luz do sol passa por uma transformação. De manhã, as flores ainda não se abriram, mas, quando o sol aparece, sua luz abraça as flores e tenta penetrá-las. A luz do sol é formada por minúsculas partículas chamadas fótons. Estes penetram gradualmente na flor, um por um, até que muitos conseguem chegar do lado de dentro. A flor então deixa de resistir e se abre para a luz do sol.



Do mesmo modo, todas a formações mentais e fisiológicas existentes em nós são sensíveis à plena consciência. Se esta estiver presente, abraçando seu corpo, ele se transformará. Se a plena consciência estiver presente, abraçando sua raiva ou seu desespero, estes também serão transformados. De acordo com o Buda e segundo a nossa experiência, qualquer coisa que receba o abraço da plena consciência passará por uma transformação.



A raiva é como uma flor. No início, você pode não compreender a natureza da sua raiva ou por que ela se manifestou. Mas, se você souber como abraçá-la com a energia da plena consciência, ela começará a se abrir. Para gerar a energia da plena consciência e abraçar a raiva, você pode ficar na posição sentada, acompanhando mentalmente sua respiração, ou praticar a meditação andando e concentrando-se em cada passo. Depois de dez ou vinte minutos, a raiva terá se aberto para você e, de repente, você verá sua verdadeira natureza. Ela pode ter surgido apenas por causa de uma percepção errada ou da falta de habilidade de alguém que não tinha a intenção de lhe causar sofrimento.



Para que a flor da raiva se abra, você precisa manter a plena consciência durante um certo período de tempo. É como quando se cozinha batatas: você coloca as batatas na panela, tampa a panela e a põe no fogo. Mesmo que a chama esteja muito alta, se você desligar o fogo passados cinco minutos, as batatas não estarão cozidas. Você precisa manter o fogo aceso pelo menos durante quinze ou vinte minutos para as batatas cozinharem. Depois disso, você destampa a panela e sente o delicioso aroma das batatas cozidas. A raiva é assim. Ela precisa ser cozida. No início, ela está crua. Você não pode comer batatas cruas. É muito difícil gostar da raiva, mas, se você souber cuidar dela, souber cozinhá-la, a energia negativa da raiva se transformará na energia positiva do entendimento e da compaixão.



Você é capaz de fazer isso. Não é algo que somente um Grande Ser possa fazer. Você também pode. Você é capaz de transformar o lixo da raiva na flor da compaixão. Muitos conseguem fazer isso em apenas quinze minutos. O segredo é continuar a prática da respiração consciente, a prática do andar consciente, gerando a energia da plena consciência a fim de abraçar a raiva.



Abrace a raiva com bastante ternura. Ela não é sua inimiga, ela é seu bebê. Ela é como seu estômago ou seu pulmão. Quando tem algum problema no pulmão ou no estômago, você não pensa em jogar o órgão fora. O mesmo acontece com relação à raiva. Você a aceita porque sabe que pode cuidar dela. Você é capaz de transformá-la numa energia positiva. O jardineiro orgânico não pensa em jogar fora o lixo. Ele sabe que precisa do lixo, pois é capaz de transformá-lo em adubo composto, para que este possa novamente se transformar em alface, pepino, rabanete e flores. Ao praticar os ensinamentos, você é uma espécie de jardineiro, um jardineiro orgânico.



Tanto a raiva quanto o amor possuem uma natureza orgânica, o que significa que ambos podem mudar. O amor pode se transformar em ódio. Você sabe muito bem disso. Muitos de nós começamos os relacionamentos com um amor muito intenso. Tão intenso que acreditamos que não conseguiremos sobreviver sem nosso parceiro. No entanto, se não estivermos plenamente conscientes, um ou dois anos são suficientes para que o amor se transforme em ódio. Então, na presença do nosso parceiro, nós nos sentimos muito mal. Viver juntos se torna impossível, e a única saída passa a ser o divórcio. O amor se transformou em ódio, nossa flor virou lixo. Mas, com a energia da plena consciência, você pode olhar para o lixo e afirmar: "Não estou com medo. Sou capaz de transformar o lixo novamente em amor."



Se você enxergar em si mesmo os elementos do lixo, como o medo, o desespero e o ódio, não entre em pânico. Na qualidade de um bom jardineiro orgânico, de uma pessoa que pratica bem os ensinamentos, você tem condições de enfrentar essa situação: "Reconheço que existe lixo em mim. Vou transformar esse lixo num adubo composto capaz de fazer meu amor reaparecer."



Aqueles que têm confiança na prática da plena consciência não pensam em fugir de um relacionamento difícil. Quando você conhece e pratica as técnicas da respiração consciente, do andar consciente, do sentar consciente e do comer consciente, você consegue gerar a energia da plena consciência e abraçar sua raiva ou seu desespero. O simples fato de você acolhê-los e abraçá-los já lhe trará alívio. Depois, sem afrouxar o abraço, você pode se dedicar à prática de examinar profundamente a natureza da sua raiva. A prática, portanto, encerra duas fases. A primeira envolve o abraçar e o reconhecer: "Minha querida raiva, sei que você está presente, estou cuidando muito bem de você." A segunda fase consiste em contemplar profundamente a natureza da sua raiva para ver como ela surgiu.



Você precisa ser como a mãe que presta atenção ao choro do bebê. Se a mãe está trabalhando na cozinha e ouve o bebê chorar, ela pára qualquer coisa que esteja fazendo e corre para confortar seu filho. Ela pode estar preparando uma ótima sopa, mas nada é mais importante do que o sofrimento do bebê. O surgimento da mãe no quarto do bebê é como a luz do Sol, porque ela está repleta do calor do amor, do cuidado e da ternura. A primeira coisa que ela faz é pegar o bebê e abraçá-lo com carinho. Quando a mãe abraça o bebê, sua energia penetra nele e o acalma. É exatamente isso que você precisa aprender a fazer quando a raiva começar a se manifestar. Você tem que abandonar tudo que estiver fazendo, porque a tarefa mais importante que você tem diante de si é se voltar para dentro e tomar conta do seu bebê, a raiva. Nada é mais urgente do que cuidar bem do seu neném.



Você se lembra que, quando era criança e tinha febre, mesmo que lhe dessem aspirina ou algum outro remédio, você só se sentia melhor quando sua mãe punha a mão na sua testa escaldante? A sensação era tão boa! A mão dela parecia a mão de uma deusa. Quando ela o tocava, você sentia um grande frescor, amor e compaixão entrando no seu corpo. A mão da sua mãe é a sua própria mão. A mão dela ainda estará viva na sua se você souber como inspirar e expirar, se você ficar plenamente consciente. Depois, ao tocar sua testa com sua própria mão, você perceberá que a mão da sua mãe ainda está presente, tocando sua testa. Você receberá a mesma energia de amor e ternura.



A mãe segura de forma consciente o bebê, totalmente concentrada nele. O bebê sente um certo alívio porque está sendo abraçado com ternura pela mãe, como a flor que é envolvida pela luz do sol. Ela abraça o bebê não apenas porque o ama, mas também para descobrir o que há de errado com ele. Como ela é uma verdadeira mãe, extremamente talentosa, consegue descobrir rapidamente o problema do neném. Ela é especialista em bebês.



Na qualidade de praticantes dos ensinamentos, temos que ser especialistas em raiva. Temos que cuidar da nossa raiva e praticar até compreender a sua origem e o seu funcionamento. Ao abraçar conscientemente o bebê, a mãe descobre a causa do sofrimento dele e fica muito mais fácil para ela corrigir a situação. Se o bebê está com febre, ela lhe dará um remédio para baixar a febre. Se estiver com fome, ela o alimentará, e se a fralda estiver molhada, ela a trocará.



Como praticantes, é exatamente isso que fazemos. Abraçamos conscientemente nosso bebê - a raiva - para obtermos alívio. Continuamos a praticar a respiração consciente e o andar consciente, como uma canção de ninar para a nossa raiva. A energia da plena consciência penetra na energia da raiva, exatamente como a energia da mãe penetra na energia do bebê. Não existe nenhuma diferença. Se você souber sorrir, praticar a respiração consciente e a meditação, concentrando-se nos seus passos, é certo que sentirá alívio em cinco, dez ou quinze minutos.



No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. Você culpa esta pessoa por todo o seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade? Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, e como você não praticou os métodos destinados a cuidar bem da raiva, a semente dela pode ter sido regada no passado com excessiva freqüência.



(Do livro “Aprendendo a lidar com a raiva” - Thich Nhat Than)

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AS BEM-AVENTURANÇAS















JESUS, dizendo:
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.






Mateus 5

domingo, 3 de janeiro de 2010

O SUTRA MENOR DA CASA DE SAIBRO

Ordinary human love results in misery. Love for God brings blessedness.

Sri Sarada Devi.







I. Coração de Pedra & Metanóia.











Pedra lisa e úmida.
[Musgosa].


Confessemos a condição
de pedra à Luz Mesma.


[E basta-nos de Confissão!].


E a brisa, o musgo
desaloja. [Desaloja
o musgo, a brisa].


Confessemos a pedra
à Luz. Expliquemos a
Deus [ao Céu-em-nós]
a Escala Maior das
Coisas.


Não imergirá a pedra
em vã minúcia [ou em
água pútrida]. Nem o
Deus-em-nós. Mas em
Fé Acesa e Incisiva.


[E não nos fiemos em
Textos ou Hierarquias:
Há Anjos travestidos em
Fantasmas. E vice-versa].


Envolvamos a pedra
negra e lisa com Luz
Branca. Enxuguemos
sua água.


Em pedra seca, não
haverá musgo.


Não haverá musgo
em pedra seca.









II. Trazendo Ar ao Deus Mau [&

Mal Incutido]: Demiurgo Mau.

[Testamento Antigo].







Respirando, traz
paciência ao Impaciente
Deus que em ti Trepida.


Ora por ti e por Ele: porque
tu O acolhes, e Ele te acolhe
mal.


[Ora te Acolhe, ora te Repudia,
Este Deus Temperamental].


Não deixes Este Deus alegar
Que O fizeste sofrer: Ele dizimou
Povos. E o sangue dos homens é o
Seu Lagar.


Larga-O!


Mostra-Lhe a Escala Maior
das Coisas.


Ajuda Este Deus [Bebê Birrento
e Perigoso] a Equilibrar a Balança
da Caprichosa Injustiça, com a Justiça
e a Misericórdia.


[Ele nada Sabe de Misericórdia,
por mais que Blefe e Esperneie].


Como Criança Fútil e Torpe, Fez
Do Universo o Seu Brinquedo. Nele
Exerceu e Exercitou os Seus Caprichos.
E não Se Cansa, pelos Séculos dos
Séculos.


Mostra-Lhe, respirando, a Escala
Maior das Coisas. Este Deus que,
em vez de Falar, Queima e Troveja:
Modelo de Poder com Suprema
Ignorância. [Ígnea e Ímpia
Mistura].


Aquieta Este Deus que Deambula
Demais, Perambula, Circum-Ambula,
Fala Mal e é Tagarela. Aquieta Sua
Iníqua Agitação.


Se a ti Ele Reclama, de Forma Plena
e Ininterrupta, aquieta-O, em teu
silêncio. Respira, respirar brando.


Se a ti Ele Reclama de Forma Inin
Terrupta & Plena, a Possessividade
d’Ele está Acima [e portanto, Abaixo]
do Enorme Apego Humano. [Quão Iníquo
e Apegado é Este Deus]. Respira brando e
perdoa-O. É teu dever de homem. O Perdão
está Acima de Sua Capacidade. Não O Deixa
Matar [com Seu Trovão] tua Bondade Humana.


Se Este Deus-Mais-Que-Apegado quer Pegar
[quer Roubar] teu coração, não O deixa fazê-lo
[Deus: além de Mau Juiz, também Ladrão].


Se te imaginas pelo Deus chantageado
[ou chantageada], a partir do Trovão,
Coroa ou Chaga, não o consinta:
amputa-O!


Como está escrito, no âmago
de cada bom coração: melhor
o Deus sem Mão [ou Braço] do
que perderes a Alma.





Cura-te da Antiga Prosternação
[do Testamento Antigo: Oh, Cego
Deus e Ávido Deus que em Ti Habita]:
nenhuma pessoa [ou Escritura] te trará
alívio. A palavra humana é como palha.


[Ou bala mortífera].


E o Silêncio é Ouro ou
Prata [segundo a Vastidão, a
Tendência, o Tom e a Cor da
Solidão de Cada Alma].


Confia no Mistério da Luz
Branca. E, das Orações, escolhe
a mais sucinta: Aquela que de Ti
mesmo Brota. Cada qual Ora de
Modo Único & Intransferível.


Eis o Mistério: Enxergar, das
Vozes Todas, A Voz Que Se
Precisa.


Eis o Batismo. Aliança Envolta
Em Paz Profunda. [Enxergar,
das Vozes Todas, a Voz Que Se
Precisa].


Não há Euforia na Oração. [Oh,
Aleluias!]. Não há Compêndio.
Não há Humana ou Histórica
Rememoração.


[Não há Arqueologia do
Sentimento].


Não há Tolo Inventário
das Enormes Ações Humanas.
[Heróico-Proféticas, sobretudo].


Amor-em-Oração [Ensina Isso ao
Deus-que-em-Ti-Habita] não é Afã
[Oh, Aleluias!], não é Arfar. Não é
Supiro-de-Amor [nem Desespero
-em-Suspirar]. Amor é Branca Brisa
& Graça Sobre Brasa Arrefecida: Antes
Rubra, agora [já] Abrandada [& Em
Branquecida]. E já Não Lesa Mais
[a Brasa] a Pedra Negra e Lisa
[: Teu Pétreo Coração!].


[Pedra Musgosa:
Difícil Metáfora!].


Jesus Orava Só.
[Oh, Aleluia!].


Ensina ao Deus-Em-Ti, que
Anseia por Multidão [& Coro
& Aplauso], a Escala Maior das
Coisas.


Jesus Orava Só.


Ora Tu [também]
no Teu Quarto.


[Onde só Te Veem a
Luz & a Própria
Sombra].







Respira Branco e Observa
Branco. Esqueça as Esposas
de Cristo [& Amantes do Coração
Chagado]. Prefira a Sobriedade dos
Mártires [sem Contorções ou Con
Traturas Nupciais]. Observe os
Mártires [observa-Os, Tu]
Caminhando, límpidos, ao
Encontro da Morte.



[Namo Ārya Vibia Perpétua

Sarada Sati!].


Respira Fundo [& Branco]
e suspeita daquelas almas
que se pretendem, de Deus,
as prediletas. Se cada qual se
suspeita a si mesma a certa [ou
preferida], em Contorção Divina,
é mais-que-certa a Conclusão:
estão todas erradas. [Os Místicos
do Coração Chagado dirão o contrário:
Certas Estão Todas].


A Eleição nos Precariza.
Caricaturiza-nos Missão
ou Tarefa.


Eleição [alegada ou presumida]
desfigura o rosto, apaga o riso,
obnubila [cada] raio de sol.
Obstrui a Luz. Afasta a
Graça e a Brisa.


Respira Branco e Escuta:
Por mim Mesmo Sei: Deus
Só fala a cada um no Íntimo.
Depois, fala no Íntimo de cada
Um. Deus é Intimista. Mas não
Intimida a Alma que se presta à
Busca.


Respira Branco e Escuta:
Por mim mesmo eu sei: Im
Possível o Coro de Vozes no
Mesmo tom, no Mesmo Ím
Peto. [Mesmo nas Vozes dos
Anjos Há Timbres Distintos].


Respira Branco e Foge da
Uniformização. É Concerto a
Música do UniVerso [: não
Bordão]. Cada qual tem seu
Padrão [Seu Padroeiro: Yidam].
[E o Diapasão que lhe afina o
Mais Secreto Anseio].


Tu és a Personificação desses
Votos.


Vós Sois, dos Votos, a
Personificação.


Por Mim Mesmo eu Sei:
Por querer da Luz Maior
Branco, olhei pro Céu e
Comparei: Estrelas e
Constelações de
Fiéis.


Cachos de Uvas Diversas:
Umas Doces, Outras Ácidas
[em Meio ao Caos, Orbes e
Urzes].


Comparei Cristãos Ocidentais
Com Ortodoxos: São Luís com
Padre Charbel Mahkluf.


[Conheço, dos Cristãos,
Setecentas e Setenta e
Sete Nuances].


Mas Vós Sois dos Votos
A Personificação.


Respira Branco e Escuta:
Por Mim Mesmo Sei: Das
Coisas Todas, Boa Fração.


[Mas Fração da Escala
Maior das Coisas].







III. O Maior Sofrimento & Primeiro







Olha a Escala Maior das Coisas:
a que nos mostra, dos Sofrimentos,
o Primeiro [das Limitações, a mais
Humana]: a Impossibilidade da
Comunicação Completa.


[Cada qual a tem bem guardada,
em seu próprio tom e em sua cor
própria].


Mas este Sofrimento [Longo &
Primevo] Myriam ultrapassa: por
ter visto no Filho [sem fugir ou
virar o rosto] a lança no flanco
transpassada.


Myriam olha para o que mal
sabem os homens. [Ou fingem
que desprezam]. O Olhar de
Myriam nos Atravessa: Ela
Própria com a Lança nos
Olhos Transpassada [e
Fel no Céu da Boca].


De vez em quando, Ela
Fala: em Fátima, em Lourdes,
em Merdjugorje.


Myriam Conhece o Fulcro, o
Núcleo: o Centro do Coração
de Onde Jorrou Sangue &
Água.


[Para Sempre Bendita, a Mãe;
para Sempre Bendito, o Fruto].


Mas o que mais nos fala, a nós
[vindo da Mãe] não é a Voz [não
é a Fala]: é a Intrepidez em Ver
o que negam os homens [no
Fundo das Almas].


Isso não se conta [nem se
Canta] com a Boca; mas com
os Olhos. [É como a Luz Branca
que se adivinha, ao Longe, na
Capela, Oculta].


Tu, também, não vires o
Rosto. Para cada qual, seu
“Quantum”, seu Fardo. [Sua
Cruz, seu Ombro].


Se o Deus-em-Ti estiver mal
Incutido [Voraz, Cruel, demasiado
Ávido], Tornar-se-á Inexaurível.


Embalemos, pois, o Inexaurível
em Sopro Brando [& Branco] para
que não Permaneça [em-nós]
para sempre Exausto &
Insaciado.


Para cada qual, seu “quantum”
e seu fardo; sua cruz, seu ombro.
Para o Silêncio, caminhamos todos.
Com os próprios pés e pesados passos.
[Leves de se ver; secretos em seu peso].


Cada qual em próprio curso, a lhe
exigir Esforço Específico. [Acho justo:
muito pior o Culto Coletivo].


[Que o Deus-Acima Nos Livre da
Mesmice dos Modos-do-Passo].


Que sejam os teus passos e
os meus diversos. Que sejam
os santos [& sãos] pouco comuns
[& controversos].


Alguns escrevem para o
Proveito das Almas. Eu,
para a Indagação.


[De Escalas & Modos de
Oração].



IV. Pathos e Dukkha







Há muita Paixão no
Mundo [Pathos]. Ele
Arde em Chamas. Alguém
acaba de se suicidar por perder
a fama. Outro faz o mesmo: por
calúnia. Ou falência.


Há, no Mundo, muita Paixão.
E Abaixo do Alto Horizonte [ou
Do Horizonte Bom, Se Lhe Dê o
Nome de Deus ou Alvo Remoto]
Só há Grito e Dor & Pasmo & Mover
Inquieto.


No Mundo há muita Paixão [Pathos].
E, Abaixo do Mais-Alto, Teorema In
Solúvel, Equação-Sem-Variável. Cólica
-Sem-Resolução [Dos Rins, do Útero].
Desejo Infinito [Outro Nome pro Deserto].
Angústia-Sem-Fim. Sede & Fome [Fome &
Sede] de Espírito Faminto. [Preta ou Asura].


Abaixo do Horizonte Bom [Chame
-Se a Isso Deus ou Desapego], há Lixo
& Visgo. E se está com um Ingresso na
Mão, para o Espetáculo Errado [Adrenalina
Pura ou Pálida Quimera]: no Bar, no Baile, na
Ópera.


Tudo é Pouco e Quase-Tudo é Tanto
& Tão-Pouco & Tão-Fútil. Abaixo do
Horizonte Alto.


Alguma Paz no Coração será Recanto,
Ou Silêncio. Para Tal, Há Voto-Sempre
-Pessoal, Impulso Próprio, Tomada-de
-Consciência, Metanóia, Compreensão
-em-Curso, Mudança, Oração. Mas não
Há Ingresso Comprado.


Não há Roubo ou Trapaça que Arrombe
A Porta do Quarto Isolado. E é Porta
Estreita que Só Se Acha a Custo [“Se
Tiveres Fé Como Um Grão de
Mostarda...”].


No Mundo Há tanta Paixão [Pathos].
E Abaixo do Horizonte Bom [Dê-se a
Ele o Nome de Nirvana ou Céu], só há
Tempo Perdido [Proust]. Ou se
maquiando. Ou Céu Minguado.







Abaixo do Horizonte Bom
[Se Lhe Dê o Nome de Bem Maior
Ou Cristo], não há Descanso, nem
Justa Medida. O Mundo é Dor e Aflição.
[Dhukka].Transitório e Impermanente.
[Anitya]. Desejo-sem-saciedade. [Tanha].
Insatisfação-Engendrada-Em-Si-Mesma.
[Samsara].


Transpor essa Base: Paz Profunda,
Salvação, Nirvana. Negá-la: Falácia.
[Avidya].


O Soar do Sino O Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Abaixo do Horizonte Bom, o Caminho
Se Faz com Coragem. A Primeira Coragem
Se Chama: “Ver-De-fato-O-que-Se-Está-Vendo”.
[Sem Mentira, Auto-Engano, Subterfúgio].


Pensa em José indo ao Egito, com
Jesus-Bebê, fugindo de Herodes.


O Soar do Sino o Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Admitir a Limitação [Intrínseca
Insatisfação] do Visto [e no Visto].
E, pelo Ver-Isto, fazer minguar a
Sede-Vã-Que-Atrai-Ao-Perpétuo
-Círculo [Samsara]. Esta Sede-Que
-A-Si-Se-Enche [Tanha]: Vicioso
Apego, Visgo.


Pensa em Jesus Coroado em Dor,
com Manto Escarlate.


O Soar do Sino o Silêncio Expande.
Misere Cordis!


Aprende com Ele [com Jesus] a
Elevar o Passo [mesmo de Rosto
Baixo] acima do Humano Desprezo.


Expande o Silêncio o Soar do Sino.


No Mundo Há Tanta Paixão [Pathos].
Há Febre no Mundo, e o Desejo Vil [ou
Vão] Que Não se Esgota. Eu quero
Compreensão, não Dogma [que
Esbugalha o Olho, faz Tremer a
Mão e deixa a Capela mais
Escura].


Eu quero Compreensão, não Dogma.
[Luz Que Aquiete Essa Trepidação Que
Nos Há por Dentro]. Eu Quero, do Sino,
a Derradeira Nota.


O Som do Sino Não Mais Retine.


A Tua Voz [Tu Que Me Lês] é
Tênue Lume.


Pairemos, os Dois, sobre
Herodes.


Misere Cordis.





Que o Sino [Litúrgico &
Íntimo Sino] Suspenda o
Excesso de Indagação.


Que o Sino [Íntimo &
Litúrgico] Suspenda o
Ruído do Mundo. E o
Coro dos Religiosos.


Como Cantam & Falam,
Todos, Parecidos! [Misere
Cordis!]. Perderam seus
Timbres & suas próprias
vozes.


Não chamo a isso “avanço”,
Em nenhum sentido. Mas retrocesso.
E não confundo “coro” ou “mimesis”
com “morte-do-ego”. Melhor seria
dito: “achatamento”. [Misere
Cordis!].


Tenho dó das crianças submetidas
às misérias dos Catecismos, e aos
Trovões ruidosos e Iníquos do Antigo
Testamento [Oh, Testamento Antigo!].


Tu, no entanto, não tenhas medo
e dorme no meu peito. Posso [e sei]
oferecer meu ombro.


Que o Som do Sino [Litúrgico &
Íntimo] Abafe Todo Ruído. [Dos
Gritos dos Maus; dos Filhos do
Deus].


As Instituições Escravizam, pois
Visam Passar a Visão-de-Cada
-Qual Pelo Mesmo
Filtro.


Que o Som do Sino [Íntimo
& Litúrgico] Abafe [pois] Todo
Ruído.


Há muita Paixão no Mundo
[Pathos]. Há muito Visgo cá
Em Baixo. E a Ascensão [ou
Ascese: Tapas] Se Faz Aos Poucos:
Subindo Uma a Uma as Oitavas [ou
Plataformas] da Espiral do Tempo.


Porque é Espiralado o Tempo em
Que Vivemos [Cronos]; e Nada Sabemos
do Tempo Legítimo [Kairós]. E Não
Acordamos no Tempo Legítimo.


[E Não Vislumbramos
Quando Kairós Engole
Cronos].


Depois de transpassarmos Degraus
& Ciclos Completos, Acordaremos
no Legítimo Tempo. Sem Precisar,
para Isso, Vestir Manto ou Hábito.


Talvez: o Escapulário por Sob a
Blusa, bem Discreto. Talvez: o Tau,
A Cruz de São Francisco para os Irmãos
Leigos [que, dos leigos, são mais irmãos].


Há Pistas das Plataformas em Espiral.
Lembremo-nos da Escada de Jacó. Do
Itinerarium [São Boaventura]. De Gregório
Palamas. E da Escada de Máximo, o
Confessor. [Lembremo-nos da
Ascese Árida dos Padres do
Deserto].


Lembremo-nos da Solidão do
Deserto: Pão Ázimo & Rústico
Alimento [para os que Ousam
Se Perder e Dilatar-Se em
Paroxismo & Ápice].


[Ápice & Paroxismo].


[Misere Cordis! Lembra-te
De Rezar a São Serafim de
Sarov].







V.Personalização da Trilha







Eu me deixo contagiar pelas
Almas que melhor viveram.
Sim: eu me entusiasmo pelas
almas mais vivas. E o reflexo
disso [pálido reflexo] será uma
ou outra Escritura. Buddhaghosa.
Visuddhimagga. [O Caminho da
Pureza, do Cânone Theravada].


Eu me contagio pelo exemplo
[ou com o exemplo] das Almas
Mais Vivas. E o que deriva disso
é um ou outro Texto: o Diálogo
de Nāgasena com o Rei Milinda
[Milinda Pañha, outra Escritura
do Cânone Antigo. Budista].


Eu me alimento do que deixaram
as Almas Vivas. E de uma ou outra
Lâmpada que permaneça Acesa depois
da Despedida. Aśvaghoṣa. Buddhacarita
[Vida de Buddha de Forma Épica: em frases
de Poeta]. Eu me alimento e me ilumino pelas
almas vivas, e pela Luz que permaneça Acesa
[em texto, em súmula, em glosa]. Aśvaghoṣa.
O Lamrim de Atisha: Sumarizada Lâmpada.
The Jewel Ornament of Liberation, de
Gampopa. [Guirlanda Sagrada].



[Namo Gampopa Sonam Rinchen

Nyamed Dakpo Rinpoche!].


Eu me alimento de exemplos vivos
[ainda que mortos] de santos de todos
os povos e credos. E uma pequena coleção
de textos e registros: Atos de Felipe,
Evangelho de Nicodemos. Sim, em minha
Coleção eu incluo [e privilegio] os Apócrifos
e os escritos por mim mesmo [Os Mistérios de
Deus Segundo Caim e O Sutra Menor da Casa de
Saibro].


Mas, no Fim de Tudo [e no Fundo do
Fim], eu fico mesmo com o Amor de
Cristo [Amor Desapegado & Compassivo]
e com o Desapego de Buddha [Desapego
Compassivo & Amoroso].


O mais, não coleciono. Nem
nego.


[Oh, Samantabhadra! Vóis sois
a Expressão desses Votos!].


Eu pertenço a todas as Famílias
de Buddhas e Bodhisattvas. [O
que Inclui Pertencer a Cristo].


Apreendo os votos de
Samantabhadra, como
proferidos na “Guirlanda de
Flores” [de Todas as Guirlandas]:
Avatamsaka Sutra. Sou sólido, porque
não sectário. Não temo a Vastidão do
Branco Sagrado [& Sagrado Branco].
Sentado em Enorme Montaria [Elefante
Sagrado, Sagrado Elefante] não temo
Equilibrar-me em Assento Firme & de
Monumental Peso. [Oh, Samantabhadra,
Vós Sois a Personificação desses Votos!].
Para todos distribuo Flores de Lótus &
Sagrados Ensinamentos.


No Outro Tempo [no Tempo que
Virá, após meu tempo], nem Mansão,
nem Castelo. Morarei numa Casa de
Saibro.


Agora, falo do Branco. E d'Ele brotando
Vermelhos & Azuis. Ou: “O Reino de Deus
Está Dentro de Vós” [Como Disse o Mestre
Jesus].


Veja Aquilo! Não é Amarelo Ouro!
É Pólen Espalhado ao Vento, pelos
Índios Navajos. Eu também te ofereço
Pólens & Lótus Amarelos. Eu doo o que
Mesmo Me Falta, como Mendigo de
Mão Aberta [Dana]. Bem firmado em
Ética [Sila], Eu Cavalgo o Cavalo de Vento
[Tibetano: Lung Ta; sânscrito: prana].


“Mendigo-Que-Dá”. Não estranhe o
Paradoxo. Cuia aberta [peça de esmoler
ou de esmolando: mendigo molambo], mas
também Aberta ao Outro. O Amarelo Ouro
também é Clamor por Trigo. Às vezes, eu
Peço. Outras vezes, Amasso na Mão o Pão
Que Eu Mesmo Fabrico. E Distribuo. [Em
Micro-Comunhão]. [Em Comunhão-Micro].


Por Isso, também pertenço à Linhagem
dOs que Vagam. À Linhagem dOs Sem-Dono.
[à Linhagem do Pólen-em-Voo, dos Índios
Navajos].


Eu falo de estar Assentado na Presença
[Parousia, em Grego]. Eu falo das Famílias,
eu pertenço às Famílias. O Buddhadharma
[A Lei Bem Proferida] e os Evangelhos me
Dão Este Direito: Conexão Minha & Própria
[& Intransferível] com o Fulcro da Vida [com
O Centro da Roda que Gira, até Perceber-me
Imóvel, Tocando a Terra como Testemunha
De Meus Direitos, pela Soma de Meus Bons
Passos].



Eu me Assento na Presença [em grego,
Parousia]. E me situo no Centro. No Ponto
Focal & Irradiante dos Votos Proferidos.
[Nem Castelo, nem Mansão: Eu moro
na Casa de Saibro]. A Extensão dos
Votos é Onde Alcança meu Braço.


Eu estou Assentado na Presença.
E de Onde Estou, Contemplo o Espaço.
[Azul Safira]. Apaziguo Inquietações, Raivas,
Ventos, Raios, Trovões. [Indra & Maruts].
O Gesto de Tocar a Terra [Bhumisparsha
Mudra] e tomá-la por Testemunha dos
Meus Atos [Bhumisparsha Mudra] é
Gesto Necessário [e Raiz Necessária]
pra me Lançar no Safirino Abismo.
[Gesto Moral: Fio Terra no Espaço
Oni-Inclusivo].


[Meu Fio de Prumo].


Assentado em Presença [Parousia]
e Tocando a Terra [Mudra de Aksobhya,
“O Imóvel”: Bhumisparsha; Mudra de Buddha
Afastando as Tentações de Mara/ Satã, em sua
Imperiosa Hora] eu olho o Ignizado Vento e a
Tempestade. Não me toca o Portador do
Raio [Jeová ou Vajrapani].Eu Equilibro a Ira
Da Justiça Cega chamando a Terra como
Testemunha para Inventariar meus
Passos [Não Inventando].


“Com Que Direito te Libertas e me
Negas?!”Ousou perguntar, ao Buda,
O Tentador. “Com o Direito que Me confere
a Terra!” E a Terra rugiu & tremeu, confirmando.
“Se não Dissésseis que Sou Jesus e Que Sou Mestre,
Se Não dissésseis que Sou o Ungido & Consagrado,
[o Messias, o Cristo] essas mesmas Pedras o
Profeririam!”


[Até as pedras O Declamariam].


Eu toco a terra e penso na Trama
Entre o Pó e as Estrelas [Eu Toco a
Terra e Vislumbro a Interdependência,
Vislumbro o Karma e a Trama Cósmica].
Sou Pó. Mas Pó de Terra & Estrela. Da
Minha Mão Brota uma Flor [às Vezes
Uma Luz Rosa]. Às Vezes, Cai, em
Mim, a Lágrima de Quem tem Um
Milhão de Mãos, um Milhão de Olhos.
[Avalokiteśvara, Kuan Yin, Kanzeon].


Guardo a Lágrima que Molha a Flor
[na mão espalmada, minha], lágrima
Verde [esmeraldina] numa Colher de
Prata. [E agora é Nova Vida a Flor que
Brota: Lágrima de Mãe Arrependida, ou
Que Chora].


[Tara, Guadalupe, Nossa Senhora].


Da lágrima sobre a rosa, advém meu
Choro. Eu Olho a Vastidão do Azul Safira
E vejo-O declinando [de Si, mais Brando,
Se Concedendo] em Lilás ou Suave Roxo.
É minha, também, a Contrição pelos Mortos.
[Kṣitigarbha; Jizō Bosatsu].


Por Assentado que Estou [& Contrito],
Sou Encontrado Pelo Que Busco, Antes
Mesmo de Buscá-Lo. Ele Me Encontra.
E Aprendo que o Encontro Já Está Im
Plícito Na Mais Funda Busca, por Sua
Entrega & Risco. [Namo Amitabha
Buddha!].


Sentado na Presença [Parousia],
Descanso na Estrada Imensa sem
Descansar, Cansar ou Desistir do
Passo. E só Descanso por Isso: por
me Saber Medido [concreto in Abs
Trato, fenômeno in Noumenon] em
Suprema Desmedida. E só Descanso
Por Isso. [Namo Amitabha Buddha!].


E só por Bem Assentado e Bem Medido
[Encontrado Onde Mesmo Não me Busquei],
Vejo Emergir [no Lugar da Flor] uma Espada
Acesa. Pungência [& Urgência] Contrastada a
Infinito Fundo. Fronteira de Discernimento por
Me saber Ainda Não Possuindo: entre o Visto &
o Vão, entre fenômeno e Noumenon. Agudeza-
bem-temperada [cravo-bem-temperado: Bach]
pela Abertura entre a Noção e o Não-Ainda [ou
Ainda-Não]. Presença Sutil [eu sobre a
Presença] entre a coleção de dharmas
fugidios [as dez mil coisas] e o Profundo
Abismo que nO Coração de Deus se Abriu.
[Namo Amitabha Buddha!].


Sentado em Presença [Parousia], Abro as
Mãos e os Braços : Sou Alpinista. Solto-me
em Penhasco-de-Presença e me Abro [Asas]
em Pleno Vácuo [o Todo-Nada: Śūnyatā].
Percebo-me não mais do que esboço-de-mim
-mesmo [grafismo ou “anseio gráfico”].
A Respiração é Ampla e Me Sai como Rugido
[: Simhanada!], bem no Fulcro da Vida [&
no Núcleo de Cada Átomo].


Assemelhado à Cólera é, no entanto,
Compaixão.


Nem Castelo, nem Mansão: Eu Moro
na Casa de Saibro.


Em Meu próprio Brado, Vejo o Trovão
Pacificado [Bem Assentado em Presença].
Diviso tons de Lazúli e Turquesa no que antes
Era Infinito. E a noção de cor [declinada cor] se
derrama sobre mim como mantra, como bálsamo,
como Aspiração Pura. Como Cura, enfim.
[Bhaisajyaguru; Yakushi Nyorai].


Bálsamo Veio do Rugido. Da Compaixão
Não-Diluída que Cobra, de mim, o Próprio
Prumo & Correção [& o Próprio Prumo
Cobra]. Colocando-me, não em Apuro:
mas em Estreita Rota [& Estrita].


[Eis, de novo, a Porta Estreita em
Íngreme Encosta; Sou Alpinista.
Alpinizo a Luz, que Sana & Limpa,
Sem Grudar No Íntimo].


Filhos de Boas Famílias: de Buddhas
E Bodhisattvas. Filhos de Cristo. Atravessemos
Os Vales da Dor e as Rodas que Giram [Íxion &
Sísifo; e o Vale de Lágrimas dos Salmos].
Atravessemos o Jardim das Oliveiras
[Getsêmani], pois haveremos de
conhecê-Lo [Façamos companhia
a Jesus, sem desanimarmos de
Caminhada, Cruz ou Calvário].


[Gólgota].


Filhos de Boas Famílias. Filhos de José
Ou João, Jesus ou Maria. Que nosso Coração
Seja Amplo para acolher a Solidão do Horto.
Tenhamos dado de beber a Sede de Deus,
em cada corpo humano. Tenhamos dado a
Ele de Beber, da Água que Tiramos de Nós
Mesmos. [Aos Cântaros]. Como Jesus Deu
de Beber à Samaritana [e Água lhe pediu],
em frente ao poço.


[Acqua Permanens].


Que nosso Coração Seja Amplo.
Recitemos, em Gratidão, o que
Já Sabemos [para sabermos mais
Fundo e Melhor]: os Evangelhos de
Marcos, Mateus, Lucas e João. Os
Outros, que nos tiraram. O Vimalakīrti
Nirdesa Sūtra e o Sutra do Lótus. O
Avatamsaka Sutra ou o Sutra Menor
Da Casa de Saibro.


Recitemos, em gratidão, o que já
Sabemos, para que Melhor Saibamos.
Recitemos as Bênçãos que já Recebemos,
ou que Vislumbramos. Recitemos, em Gratidão,
às Terras Puras que já entre-Vemos [“Há Muitas
Moradas na Casa de Meu Pai”].


Comunguemos: Buda & Jesus são
Irmãos.


Saudemos os Patriarcas & Mestres
das Tradições. Aprendamos com Suas
Vidas & com Nossas Próprias.


Recitemos em Gratidão ao que
Já Temos [Doença ou Contra-Tempo;
Trabalho ou Limitação: são todos
Pontos-de-Apoio].


Recitemos e sejamos Gratos aos
Ancestrais e à Terra que Pisamos.


Recitemos e sejamos Gratos aos
Exemplos que Tomamos [nas diversas
Tradições], em Íntimo Oratório. [No
Silêncio também Comungamos].


Recitemos, gratos.


Entregando-nos ao Coração de
Cristo. Entregando-nos à Misericórdia
De Cristo. Entregando-nos ao Fulcro da
Vida, ao Coração da Lei, ao Corpo da
Verdade [Dharmakaya].


Louvados sejam os Sagrados
Caminhos. Louvada Seja a Inescrutável
Amplidão de Deus. O Caminho já está bem
aplainado pela pegadas de Buda, pelo exemplo
de Cristo, pela compreensão dos mestres, para
o Benefício do Mundo.




OM SAMAYAS TVAM!


[VÓS SOIS A PERSONIFICAÇÃO DESSES VOTOS!].







Namo Mahavatar Mahakaruna Mahasiddha Jesus Bodhisattva.











Fim do Sutra Menor da Casa de Saibro.











Marcelo Novaes


03/01/2010.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

AIS CONTRA OS PERVERSOS





Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não hajam mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra!
A meus ouvidos disse o SENHOR dos Exércitos: Em verdade, muitas casas ficarão desertas, até as grandes e belas, sem moradores.
Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta!
Liras e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos.
Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede.
Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!
Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!
Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo!






ISAÍAS 4,5