sábado, 2 de dezembro de 2017

O orgulho e a autossuficiência infectam a sabedoria e a arte de pensar.

O orgulho e a autossuficiência de escribas e fariseus obstruíam suas inteligências e os encerravam num cárcere intelectual. Na escola de Cristo, o orgulho e a autossuficiência infectam a sabedoria e abortam a arte de pensar.Todos devem ter a postura intelectual de uma criança, que é aberta, sem preconceitos e com grande disposição para prender (Marcos 10:15

Cristo demonstrava que precisava de algo mais que admiradores e simpatizantes de sua causa. Precisava de uma mente aberta, de um espírito livre e sedento. Ele não desistiu dos escribas e dos fariseus, mas, em vez de insistir com eles, preferiu começar tudo de novo, e procurou pessoas aparentemente desqualificadas para executar um projeto mais profundo e transcendental. Escolheu um grupo de incultos pescadores que provavelmente não conheciam nada além dos limites do mar da Galileia, que nunca pensaram em caminhar dentro de si mesmos e desenvolver a arte de pensar, pessoas que nunca refletiram mais profundamente sobre os mistérios da existência ou sonharam em ser mais do que simples pescadores ou coletores de impostos. 

O mundo intelectual e espiritual daqueles homens era muito pequeno. Todavia, um mestre intrigante passou por eles, abriu suas mentes e despertou neles um espírito sedento que mudaria para sempre suas trajetórias de vida.

Cristo tomou uma atitude arriscada, corajosa e desafiadora. Fez uma escolha incomum para levar a cabo o seu complexo desejo. Escolheu um grupo de homens iletrados e sem grandes virtudes intelectuais  para transformá-los em engenheiros da inteligência e torná-los propagadores (apóstolos) de um plano que abalaria o mundo, atravessaria os séculos e conquistaria centenas de milhões de pessoas de todos os níveis culturais, sociais e econômicos.



Fonte: livro - O Mestre dos Mestres
                      Augusto Cury

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Desobstruindo a inteligência

Colocar-se como aprendiz diante da vida profissional, social e intelectual é um verdadeiro exercício de inteligência. Uma pessoa que possui essa característica é sempre criativa, lúcida e brilhante intelectualmente. Está se despojando de maneira contínua dos seus preconceitos e enxergando a vida de diferentes ângulos. Por outro lado, uma pessoa que se sente interiormente abastada está sempre tensa, entediada e envelhecida intelectualmente.

Faz bem à saúde do cérebro e à saúde psíquica colocar-se como aprendiz diante da existência. Essa característica não tem relação com a idade. Há jovens que são velhos, por serem engessados e rígidos intelectualmente. Há velhos que são jovens, por serem livres e sempre dispostos a aprender. Tal característica é mais importante do que a genialidade. É possível ser um gênio e ser apenas um mero baú de informações, sem nenhuma criatividade.

Se observarmos a história dos homens e mulheres que mais brilham em suas inteligências, constataremos que a curiosidade, o desafio, a ousadia, a sede de aprender, a capacidade de se colocar  como aprendiz  diante dos acontecimentos da vida eram seus segredos. Muitos pensadores foram mais produtivos quando ainda eram imaturos, pois tinham preservadas essas características. Nessa fase, embora tivessem os problemas ligados à imaturidade intelectual, estavam mais apertos para o aprendizado. Todavia, quando conquistaram status, fama, prestígio social e abandonaram a postura de aprendizes, arruinaram-se intelectualmente.

Quem se contamina com o vírus da autossuficiência reduz a própria produção intelectual. Quem se embriaga com o orgulho está condenado à infantilidade emocional e à pobreza intelectual, além de fazer da vida uma fonte de ansiedade. O orgulho gera mais filhos, entre os quais estão a dificuldade de reconhecimento de erros e a necessidade compulsiva de estar  sempre certo. Aquele que recicla seu orgulho e se liberta do jugo de estar sempre certo transita pela vida com mais tranquilidade. A pessoa que reconhece suas limitações é mais madura do que a que se senta no trono da verdade. 

 Um dos maiores problema educacionais é levar um mestre a se posicionar continuamente como aluno e manter o aluno constantemente em sua condição de aprendiz. Muitos profissionais liberais e executivos se tornam estéreis com o decorrer do tempo, pois se fecham dentro de si mesmos, engessam sua inteligência com as amarras da autossuficiência e da independência exagerada.

Muitos cientistas são produtivos quando estão no início de suas carreiras. entretanto, à medida que sobem na hierarquia acadêmica e supervalorizam seus títulos, têm grande dificuldade de produzir novas ideias, Os jornalistas, os professores, oe médicos, os psicólogos, enfim, toda e qualquer pessoa que não recicla a autossuficiência aprisiona o pensamento e aborta a criatividade. É provável que muitos de nós estejamos intelectualmente estéreis e não tenhamos consciência disso por causa da dificuldade de nos interiorizar e repensar nossa história.

Cristo provava continuamente a inteligência de seus discípulos e os estimulava a abrir a janelas de suas mentes. Os pensamentos dele eram novos e originais e iam contra todos os paradigmas desses discípulos, contra tudo o que tinham aprendido como modelo de vida. Por isso, tinha um grande desafio pela frente. Precisava romper-lhes a rigidez intelectual e conduzi-los a se colocarem como aprendizes diante da sinuosa e turbulenta trajetória da vida. Quem ele escolheu como discípulos? Os intelectuais ou os iletrados?

Estranhamente Cristo não escolheu como discípulos para revelar seu propósito e executar seu projeto um grupo de intelectuais da época, representados por escribas e fariseus. Estes tinham a grande vantagem de possuir uma cultura milenar e uma refinada capacidade de raciocínio. Além disso, alguns o admiravam muito. Porém, pesava contra eles o orgulho, a autossuficiência e a rigidez intelectual, o que impedia que se abrissem para outras possibilidades de pensar.




Livro - O Mestre dos Mestres
            Augusto Cury 





terça-feira, 10 de outubro de 2017



A telepatia é transferência de pensamento de uma pessoa para outra. Assim como o som se move no espaço etéreo, também o pensamento se move no espaço mental. Existe um oceano de éter que nos rodeia, e também existe um oceano mental em nossa volta. O pensamento tem forma, cor e peso. Ele é uma matéria, assim como um lápis.


Quando você tem um bom pensamento de natureza elevada, é muito difícil dizer se é seu próprio pensamento ou o pensamento de alguma outra pessoa. Os pensamentos das outras pessoas entram em seu cérebro.


A telepatia foi o primeiro telégrafo sem fio dos yogues. O pensamento viaja a uma velocidade inimaginável. Às vezes você pensa em um amigo com tal intensidade num dia, e depois de um ou dois dias você recebe sua carta. Isso é telepatia inconsciente. Seu pensamento poderoso viajou e alcançou o cérebro de seu amigo, e ele lhe respondeu. Tantas coisas interessantes e maravilhosas acontecem no mundo do pensamento.


As pessoas que não desenvolveram o poder de telepatia estão tateando no escuro. A glândula pineal que é considerada pelos ocultistas como o assento da alma tem um importante papel na telepatia. É a pineal que recebe as mensagens. Ela é uma glândula endócrina localizada no cérebro, que tem uma secreção interna que é diretamente despejada no sangue.


No início pratique telepatia de uma curta distância. É melhor praticar à noite, para começar. Peça a seu amigo que fique receptivo e se concentre às dez da noite. Peça-lhe para sentar em Virásana ou Padmásana com os olhos fechados num quarto escuro. Tente mandar sua mensagem exatamente naquele horário. Concentre nos pensamentos que deseja enviar. Queira fortemente enviar. Os pensamentos deixarão seu cérebro e entrarão no cérebro de seu amigo. Pode haver alguns erros no começo. Quando você avançar na prática e conhecer bem a técnica, estará sempre correto ao mandar e receber mensagens. Mais tarde, será capaz de enviar mensagens a diferentes partes do mundo.


As ondas-pensamento variam em intensidade e força. Quem envia e quem recebe devem possuir grande e intensa concentração. Então a mensagem será enviada com força e clareza. No começo pratique telepatia de um quarto para outro na mesma casa. Essa ciência é muito agradável e interessante. É necessário a prática paciente. Brahmacharya (continência sexual) é muito essencial.


Você pode influenciar outra pessoa sem qualquer palavra audível. O que se requer é concentração de pensamento dirigido pela vontade. Isso é telepatia. Às vezes, quando você está escrevendo algo ou lendo, de repente lhe vem uma mensagem de uma pessoa que lhe é querida. Você pensa nela de repente. Ela lhe enviou uma mensagem. Ela pensou seriamente em você.


As vibrações do pensamento viajam mais rápido que a luz ou a eletricidade. Nesses casos, a mente subconsciente recebe a mensagem ou as impressões, e a transmite à mente consciente.


Os grandes adeptos ou Mahatmas que vivem nas cavernas dos Himalayas transmitem suas mensagens através da telepatia aos aspirantes avançados ou aos yogues que vivem no mundo. E estes cumprem suas ordens e disseminam seu conhecimento em todos os lugares. Não é necessário que os Mahatmas venham pregar num palanque. Não importa se eles pregam ou não. Suas vidas são uma incorporação do ensinamento. Pregar numa tribuna é para homens de segunda classe, que não conhecem a telepatia.


Estes elevados yogues ajudam o mundo através de suas vibrações espirituais e de sua aura magnética, mais do que o fazem os yogues de tribuna. A glória do hinduísmo se perderá, se os Sannyasins (monges renunciantes) se tornarem extintos. Eles nunca podem desaparecer da Índia. É o dever dos chefes de família suprir suas necessidades. São estes homens que realmente podem ajudar o mundo todo.

sábado, 20 de maio de 2017

Meditação Iniciática

O método indicado por Sri Ramana é a prática da meditação. Ela se constitui num treinamento para que sintamos profundamente e cada vez mais nossa verdadeira essência. Bhagavan Sri Ramana recomendava que meditássemos diariamente, sentindo o lado direito do peito, ao qual ele chamou o centro da caverna-coração, onde se reflete a eterna consciência do cosmo. O centro da caverna-coração é o lugar de onde surge toda a procura da Luz. A Luz da consciência flui dele para o cérebro e depois para o corpo inteiro.

PERGUNTA: Como você pode dizer que o coração fica à direita, quando os biólogos o localizam à esquerda?

RAMANA: Eles têm razão. O coração físico é à esquerda. Mas o coração do qual falo não é o físico, e ele se localiza no lado direito do peito. Aqueles que são conscientes da verdade de ser têm experiência direta desse fato e não precisam que ninguém lhes confirme. Não parei de repetir que o centro do coração é no lado direito, apesar das afirmações contrárias de pessoas eruditas que baseiam seus conceitos na fisiologia do ego denso. A estável e firme permanência na essência divina se chama estado natural de meditação, no qual a mente, corpo e sentidos estão completamente absorvidos. O universo inteiro está resumido no corpo, e o corpo todo, no centro da caverna-coração. Logo, o centro do coração é a súmula de todo o universo. O centro da caverna-coração, no microcosmo, é a esfera do Sol no macrocosmo, e a mente no cérebro é como o orbe da Lua. Inconsciente do centro da caverna-coração, o homem percebe apenas a mente, assim como ele vê a luz da Lua, à noite, quando o Sol está ausente. Não se apercebendo do próprio centro da caverna-coração, como a verdadeira fonte de luz, a pessoa ignorante das leis divinas vê os objetos com a mente, como sendo separada entre si, e é enganada. Quem permanece sempre identificado com o centro da caverna-coração vê a luz da mente submergida na luz desse centro justamente como a luz do Sol durante o dia. Os sábios explicam que a mente é o indicador do conhecimento e que o centro da caverna-coração é o próprio conhecimento indicado. O Supremo não é senão o centro da caverna-coração. O sentido de diferença entre o sujeito e o objeto está apenas na mente.



Fonte: livro - Ramana meu Mestre
                       Sri Maha Krishna Swami